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Palmeiras não é DM? Leila Pereira vira refém do próprio discurso e drama de Paulinho expõe contradições

Palmeiras não é DM? Leila Pereira vira refém do próprio discurso e drama de Paulinho expõe contradições

04/08/2026 19:20

Presidente do Verdão ironizou contratação de atletas com histórico de lesões ao descartar Neymar, mas convive hoje com o baixíssimo custo-benefício do camisa 10 Leila Pereira construiu a imagem de uma das dirigentes mais...

Presidente do Verdão ironizou contratação de atletas com histórico de lesões ao descartar Neymar, mas convive hoje com o baixíssimo custo-benefício do camisa 10

Leila Pereira construiu a imagem de uma das dirigentes mais fortes do futebol brasileiro. Empresária de sucesso, a presidente do Palmeiras coleciona negociações milionárias e tem sido protagonista em algumas das maiores vendas da história. As transferências de Endrick, Estêvão, Vitor Reis e Richard Ríos reforçam a reputação de uma gestora firme na mesa de negociações.

Da mesma forma, a mandatária nunca demonstrou receio de entrar em debates públicos. Em entrevistas, responde críticas de adversários, rebate acusações sobre arbitragem e dificilmente deixa provocações sem resposta. Em um ambiente historicamente dominado por homens, Leila conquistou espaço justamente pela forte personalidade e disposição em defender o Palmeiras.

O problema é que, no futebol, declarações costumam cobrar um preço. E poucas frases da presidente envelheceram tão mal quanto a que deu durante o período em que descartava a possibilidade de contratar Neymar.

Só que destino reservou uma ironia para a presidente

Na ocasião, no fim de 2024, Leila afirmou que o Palmeiras “não é departamento médico”, em uma clara referência ao histórico recente de lesões do camisa 10, que acabaria retornando ao Santos meses depois. A declaração foi bastante elogiada por parte da torcida alviverde, principalmente porque Neymar continuou enfrentando dificuldades físicas em sua volta ao Brasil.

Enquanto Neymar convivia com seus problemas, o Palmeiras investia pesado para contratar Paulinho. O atacante chegou ao clube no fim de 2024 em uma negociação de aproximadamente R$ 115 milhões, além das transferências definitivas de Gabriel Menino e Patrick ao Atlético-MG. Era uma das maiores apostas da gestão Leila Pereira para elevar ainda mais o nível do elenco.

Na teoria, fazia sentido. Tecnicamente, Paulinho é um dos atacantes mais talentosos do futebol brasileiro e havia sido protagonista no Atlético-MG. O problema nunca foi qualidade.

Paulinho amplia histórico de problemas físicos e já desfalcou o Palmeiras em 87 jogos - Foto Marcello ZambranaAGIF
Paulinho só disputou 25 jogos pelo Palmeiras desde que foi contratado por R$ 115 milhões – Foto Marcello ZambranaAGIF

O obstáculo sempre foi a condição física. Desde que desembarcou na Academia de Futebol, Paulinho não conseguiu ter sequência. Entre cirurgias, recuperação da grave lesão por estresse na canela e novos problemas musculares, o atacante soma apenas 25 partidas pelo Palmeiras em um ano e sete meses de SEP.

Questão física tem atrapalhado trajetória de Paulinho no Palmeiras

No mesmo período, já desfalcou a equipe em 87 jogos por questões físicas, número que sequer considera partidas em que foi preservado apenas por controle de carga, informou o Globo Esporte. Agora, uma nova lesão no adutor da coxa o deixará fora por pelo menos mais três semanas, ampliando uma sequência que preocupa comissão técnica, diretoria e torcida.

Foto: gerada com auxílio de IA pelo Bolavip Brasil

O resultado é inevitável: até aqui, o custo-benefício da contratação é extremamente baixo. Isso não significa que Paulinho tenha perdido sua capacidade técnica ou que não possa dar a volta por cima.

Quando está em condições, segue sendo um jogador diferenciado e capaz de decidir partidas importantes — como mostrou no gol marcado diante do Botafogo, no Mundial de Clubes da temporada passada.

Entretanto, futebol é rendimento, disponibilidade e continuidade. E, até o momento, o camisa 10 não conseguiu entregar nenhum desses três fatores de forma consistente. É justamente aí que a frase de Leila Pereira retorna ao centro do debate.

“Peixe morreu pela boca”, Leila?

A presidente tinha razão ao afirmar que um clube precisa considerar o histórico físico antes de realizar investimentos milionários. O problema é que o próprio Palmeiras acabou desembolsando uma fortuna por um atleta que também carregava um quadro clínico delicado e, até agora, não conseguiu corresponder justamente por causa das lesões.

No fim das contas, não é Neymar quem expõe uma contradição no discurso da mandatária palmeirense. É Paulinho.

E, enquanto o atacante seguir mais tempo no departamento médico do que dentro de campo, a declaração de que o Palmeiras “não é departamento médico” continuará sendo lembrada como uma das frases que mais voltaram para assombrar Leila Pereira durante sua gestão.