Jogadores do São Paulo perdem confiança na gestão Massis após promessas de pagamentos não cumpridas
Segundo apuração do Bolavip Brasil, elenco relata reuniões com promessas de regularização que não foram cumpridas e vê relação com a atual administração se desgastar O ambiente no São Paulo ficou ainda mais delicado nos ...
O ambiente no São Paulo ficou ainda mais delicado nos últimos meses. Segundo apuração da reportagem do Bolavip Brasil, parte significativa do elenco perdeu a confiança na gestão do presidente Harry Massis após uma sequência de atrasos e promessas de pagamentos que, de acordo com relatos obtidos pela reportagem, não foram cumpridas.
A insatisfação não está relacionada apenas aos direitos de imagem. Jogadores também relatam problemas envolvendo luvas e outros pagamentos previstos em contrato, enquanto algumas promessas feitas diretamente ao elenco acabaram não se concretizando.
A situação chegou a um ponto em que a relação entre jogadores e administração é considerada ruim internamente. Ainda assim, existe um entendimento entre os atletas de que os problemas financeiros e políticos não podem interferir dentro de campo, principalmente em um momento importante da temporada.
Promessas de pagamento aumentaram a desconfiança
De acordo com relatos obtidos pelo Bolavip Brasil, aconteceram diversas reuniões nas quais Massis teria assegurado aos jogadores que os pagamentos seriam regularizados. O discurso, segundo pessoas ouvidas pela reportagem, era de que a nova administração não repetiria os problemas enfrentados anteriormente pelo clube.
Na prática, porém, as promessas não teriam sido cumpridas como esperado pelo elenco. A sequência de atrasos fez com que alguns jogadores passassem a enxergar a situação com ainda mais desconfiança.
Um exemplo envolve o staff do lateral-esquerdo Enzo Díaz. Segundo relato obtido pela reportagem, foram cinco promessas de pagamento que não teriam sido cumpridas no caso do jogador.
O episódio é citado internamente como um dos exemplos da dificuldade enfrentada pelo elenco para receber valores que, de acordo com os relatos, já haviam sido objeto de compromissos assumidos pela administração.
Direitos de imagem seguem atrasados
O principal foco da insatisfação está nos direitos de imagem. Ao assumir a presidência após o impeachment de Julio Casares, Massis teria prometido aos jogadores que não haveria novos atrasos nessa modalidade de pagamento.
No mês seguinte, a administração também parcelou em dez vezes valores de direitos de imagem que estavam atrasados desde 2025. A expectativa apresentada ao elenco era de que o acordo permitisse colocar as pendências em ordem e, ao mesmo tempo, manter os novos pagamentos dentro do prazo.
O parcelamento, porém, começou a apresentar problemas. Cinco parcelas chegaram a ser pagas, mas pelo menos três estão atualmente atrasadas, enquanto os direitos de imagem referentes a junho, julho e agosto também não foram quitados.
A situação é ainda mais sensível para alguns dos jogadores contratados na última janela. Conforme apuração do Bolavip Brasil, há reforços que ainda não receberam sequer um mês de direitos de imagem, com casos em que o atraso acumulado chega a seis meses.
Salários em carteira também atrasaram
A crise deixou de ficar restrita aos pagamentos de imagem no início de setembro. Pela primeira vez em um longo período, os salários registrados em carteira também sofreram atraso.
O pagamento, que deveria ter sido realizado no dia 8, acabou acontecendo somente na sexta-feira seguinte, três dias depois do prazo. Embora o valor tenha sido posteriormente quitado, o episódio aumentou a preocupação dentro do elenco.
A sequência de problemas fez com que os jogadores passassem a conversar mais entre si sobre a situação financeira. O grupo se fechou internamente e alguns dos atletas mais experientes chegaram a ajudar financeiramente companheiros que eventualmente precisassem de suporte.
Elenco tenta separar crise do futebol
Apesar da insatisfação com a administração, os jogadores decidiram não deixar que os problemas financeiros contaminassem a preparação para os compromissos em campo.
Antes do confronto decisivo contra o Boca Juniors, pela Copa Sul-Americana, o elenco combinou deixar as questões administrativas de lado e concentrar todos os esforços na tentativa de buscar a classificação.
A postura foi justamente a de preservar o ambiente esportivo. Os jogadores entendem a importância do clube e, segundo os relatos obtidos pela reportagem, existe um sentimento de que é preciso continuar competindo independentemente das dificuldades fora das quatro linhas.
A relação ruim com a administração, contudo, não desapareceu. O que existe atualmente é uma espécie de separação entre as duas situações: os atletas mantêm o compromisso com o São Paulo, mas demonstram pouca confiança na gestão.

Rafinha é visto de maneira diferente pelo elenco
Dentro desse cenário, uma figura da direção do futebol é tratada de maneira diferente pelos jogadores: Rafinha, executivo de futebol.
Segundo relatos ouvidos pelo Bolavip Brasil, o ex-lateral não é colocado no mesmo grupo de desconfiança direcionado à administração. Entre os atletas, existe o entendimento de que Rafinha é “mais um deles”, justamente pela relação construída durante sua trajetória como jogador e pela proximidade com o elenco.
Isso não significa que Rafinha tenha poder para resolver as questões financeiras do clube. A percepção dos jogadores é de que os problemas estão ligados principalmente à condução administrativa e financeira, enquanto o executivo é visto como alguém que também está próximo dos atletas e compreende as dificuldades enfrentadas no dia a dia.
Insatisfação ficou pública após eliminação
A situação ganhou uma dimensão ainda maior depois da eliminação do São Paulo para o Boca Juniors. Após a partida, Luciano falou publicamente sobre as dificuldades enfrentadas pelos jogadores e expôs uma insatisfação que até então vinha sendo tratada principalmente internamente.
O atacante afirmou que nunca recebeu o salário em dia no São Paulo e também declarou que permaneceu no clube “por amor”. A manifestação tornou pública uma questão que já vinha sendo discutida nos bastidores e reforçou o tamanho do desgaste existente.
O episódio também mostrou que o esforço feito pelo elenco para separar os problemas administrativos do desempenho esportivo não significa que os jogadores estejam satisfeitos com a situação.
Neste momento, o São Paulo precisa administrar simultaneamente a pressão esportiva e a crise financeira. Para o elenco, o objetivo continua sendo defender o clube dentro de campo, mas a confiança na atual administração foi profundamente afetada pela sequência de promessas e pagamentos que, segundo os relatos obtidos pela reportagem, não foram cumpridos.