Giay vai voltar da Argentina com um trunfo novo para a estratégia do Palmeiras
Seleção da Argentina pode acrescentar justamente o elemento que faltava ao repertório de Giay. O contato com outra estrutura coloca o jogador diante de responsabilidades que complementam sua evolução no Palestra Agustín ...
Agustín Giay pode voltar da Argentina com algo mais valioso do que status: repertório. O lateral-direito do Palmeiras deve começar como titular contra a Bolívia nesta quarta-feira (30), em Córdoba, em um momento particularmente interessante de sua carreira. Lionel Scaloni vem testando uma formação com o palmeirense na lateral direita, dentro de uma linha de quatro, enquanto Abel Ferreira encontrou no jogador uma solução diferente para sua estrutura.
A diferença parece pequena no desenho da escalação, mas é enorme para o desenvolvimento do jogador. No Verdão, Giay passou a ganhar protagonismo justamente pela capacidade de interpretar espaços como ala, especialmente quando Abel utiliza três zagueiros. Na Argentina, a tendência é que a exigência seja outra: defender como lateral de uma linha de quatro, controlar o corredor e tomar decisões sem contar permanentemente com a cobertura de um terceiro defensor. É quase como se duas escolas táticas diferentes estivessem ajudando a formar o mesmo jogador.
Esse é o ponto que torna a convocação mais interessante para a SEP. Giay já construiu uma identidade dentro do clube. Em 2026, o argentino deixou para trás um período de desconfiança, ganhou sequência, tornou-se titular e passou a participar de partidas importantes, inclusive marcando seu primeiro gol pelo Palestra contra a LDU, pelas quartas de final da Libertadores.
A mudança de status, portanto, precede a seleção. A convocação de para os amistosos contra Bolívia, Burkina Faso e Beninconfirma uma evolução que já vinha acontecendo na Academia de Futebol. Agora, porém, existe a possibilidade de acrescentar uma camada diferente ao repertório do jogador, com a experiência de atuar novamente em uma estrutura na qual a lateralidade tradicional pesa mais do que a liberdade de um ala.
Como os ‘hermanos’ vão potencializar Giay
É aí que o trabalho de Scaloni pode conversar com o de Abel. O treinador palmeirense encontrou em Giay uma peça capaz de ocupar o corredor, participar da pressão, atacar espaços e também cumprir tarefas defensivas dentro de uma estrutura com três zagueiros. A seleção argentina pode exigir dele outra leitura, destacando a distância para os zagueiros, o momento de saltar na marcação, a proteção do corredor e a decisão sobre quando avançar sem comprometer a última linha.
Parece uma troca de função, mas pode funcionar como complemento. Um lateral que compreende melhor as responsabilidades de uma linha de quatro tende a levar essa experiência para qualquer outra função que desempenhe. No caso de Giay, entender com mais precisão quando ficar, quando avançar e quando fechar por dentro pode deixá-lo ainda mais preparado para interpretar o papel de ala que Abel vem desenhando.

Há também uma questão defensiva importante. Giay já construiu boa parte de sua afirmação no Palmeiras a partir da capacidade de competir nos duelos e proteger seu setor. A experiência internacional pode acrescentar novas referências justamente nessa área. Jogar como lateral em uma seleção que está iniciando um novo ciclo, e que precisa testar alternativas depois da Copa do Mundo, coloca o argentino diante de responsabilidades diferentes das que encontra no clube.
A consequência prática no Palestra
O momento da Argentina torna esse processo ainda mais relevante. A saída de Lionel Messi abriu uma nova etapa para Scaloni, que vem promovendo testes e olhando para jogadores mais jovens. Nas laterais, Giay aparece entre os nomes que podem disputar espaço para o futuro da seleção, ao lado de Román Vega. Ou seja: o palestrino está sendo observado dentro de uma renovação de elenco.
Para o Maior Campeão do Brasil, isso pode ter uma consequência prática. Abel Ferreira trabalha com um elenco no qual a capacidade de uma peça exercer funções diferentes ganhou importância ainda maior na reta decisiva da temporada. Giay encaixa perfeitamente nessa lógica porque pode ser lateral em uma estrutura, ala em outra e participar de mecanismos diferentes sem necessariamente exigir uma substituição para que o desenho tático mude.
A missão é por um Giay versátil e assertivo
A experiência argentina tem como principal virtude o ganho na quantidade de soluções que Giay passa a carregar dentro de uma mesma posição. Se conseguir assimilar exigências diferentes, ele volta ao Palmeiras com mais referências para interpretar aquilo que Abel pedir.
Todavia, Giay pode retornar dela diferente. Abel já descobriu que o jogador consegue ser mais do que um lateral-direito convencional. Se Scaloni acrescentar ao argentino novas referências para atuar dentro de uma linha de quatro, o Verdão poderá receber de volta uma peça ainda mais versátil. Existe uma ironia interessante nisso: Giay pode viajar para a Argentina para aprender novamente a ser lateral e voltar às Alamedas ainda melhor preparado para ser o ala que Abel descobriu.