Opinião: Eliminação do Fluminense expõe abandono a Xerém e fuga de identidade com Zubeldía
Mais do que uma eliminação para o rival, queda na Copa do Brasil escancara decisões e caminho perigoso ao futuro do Fluminense Nascido e criado em Xerém, me acostumei a ver as pessoas lembrarem do meu bairro pelo Zeca Pa...
Nascido e criado em Xerém, me acostumei a ver as pessoas lembrarem do meu bairro pelo Zeca Pagodinho ou pelo CT Vale das Laranjeiras, que fica praticamente na entrada do local. Diariamente, se torna comum você ver garotos e garotas de todas as idades andando com o uniforme tricolor pelas ruas.
Torcedores? Também, mas a grande maioria faz parte de um dos maiores orgulhos do clube, que é justamente a formação. Mas em meio a este sentimento de revelar grandes nomes, algo me espantou logo após a eliminação para o Vasco na Copa do Brasil.
Acabado os 90 minutos, os 11 que finalizaram a partida ostentavam uma média de idade acima de 32 anos. Em determinado momento da partida, quando já perdia por 2 a 0 e necessitava de gols, Zubeldía olhou para o banco e colocou a cavalaria: Ganso, Cano e Hulk.
Moleques de Xerém, mas não do Fluminense
E nada contra aos três, com os dois primeiros sendo ídolos e jogadores históricos da conquista da Libertadores. Já Hulk, mesmo aos 40 anos conseguiu participar do gol que chegou a dar esperança. Mas sabe o curioso? É que o autor era o único formado na base após o apito final. Aos 24 anos, Martinelli também era o jogador mais novo naquele momento.
Ao olhar o banco de reservas, notei que o único “Moleque de Xerém” era o goleiro reserva Marcelo Pitaluga, que retornou recentemente após passagem na Europa. Mas longe do espanto, já que a situação vem sendo rotineira no Fluminense.
Em 2026, o técnico Luís Zubeldía chegou a ficar quase quatro meses sem utilizar nenhum jogador formado pela base. Algumas promessas, como o lateral-direito Julio Fideliz, além dos atacantes Matheus Reis, Riquelme Felipe e Wesley Natã, foram sucateados pela atual comissão.
Um Fluminense longe de sua identidade
Fora de mais uma competição e incertezas no Brasileirão e Libertadores, cabe à diretoria tricolor uma análise sobre o atual momento. Ao precisar de gols, por exemplo, o principal reforço para o ataque estava no banco. Contratado por 13 milhões de dólares, Castillo se mostra longe de ser a solução. Problema este que tende a ficar mais escancarado, já que John Kennedy sofreu uma lesão.
Além disso, um clube que sempre se destacava por trazer a luz novas joias do futebol brasileiro, finaliza um jogo com a média de idade acima dos 32 anos. No fim, o torcedor se pergunta sobre a base, levantando o questionamento sobre o real potencial dos garotos ou de um possível desleixo de Zubeldía.
O argentino, inclusive, vive uma pressão e sua permanência já não é uma unanimidade nos bastidores. Em meio a este problema, a solução estaria onde? No atual renegado bairro de Xerém. Recém contratado para dirigir o Sub-20, o ex-atacante Fred pode ser preparado e, quem sabe, mostrar mais uma vez que o Tricolor não precisa largar as suas raízes.