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Massis e Olten fazem acordo nos bastidores antes de votação da Ticketmaster no São Paulo

Massis e Olten fazem acordo nos bastidores antes de votação da Ticketmaster no São Paulo

18/09/2026 20:58

Entendimento entre presidente e Conselho abre caminho para análise do contrato que pode antecipar R$ 140 milhões ao São Paulo Harry Massis e Olten Ayres chegaram a um entendimento nos bastidores do São Paulo que pode des...

Entendimento entre presidente e Conselho abre caminho para análise do contrato que pode antecipar R$ 140 milhões ao São Paulo

Harry Massis e Olten Ayres chegaram a um entendimento nos bastidores do São Paulo que pode destravar um dos assuntos mais importantes do clube neste momento. O contrato com a Ticketmaster será levado à votação do Conselho Deliberativo no dia 29 de setembro, depois de semanas de tensão entre a diretoria e o órgão presidido por Olten.

A movimentação acontece no mesmo momento em que Massis decidiu arquivar a representação que pedia a expulsão de Olten do quadro do clube. O pedido estava relacionado a uma acusação de falsidade ideológica, mas o inquérito envolvendo o presidente do Conselho acabou arquivado pelo Ministério Público e, posteriormente, de forma definitiva pela Justiça.

O novo cenário representa uma mudança importante na relação entre os dois dirigentes. Massis retirou uma frente de confronto político, enquanto Olten colocou em pauta o contrato que a atual gestão considera fundamental para o caixa do São Paulo.

Votação da Ticketmaster já tem data

A votação foi marcada para 29 de setembro, às 18h30, quando os conselheiros deverão analisar a proposta apresentada pela Ticketmaster para assumir a gestão da venda de ingressos do Morumbis.

O contrato já foi aprovado pelo Conselho de Administração, mas ainda precisava passar pelo Conselho Deliberativo para entrar em vigor. A proposta prevê a substituição da Total Acesso a partir de 2027 e envolve também outros direitos relacionados à operação do estádio.

A diretoria considera a aprovação fundamental para o planejamento financeiro. Em áudio divulgado anteriormente, Massis já havia deixado clara a preocupação com a falta de recursos caso o acordo não avançasse.

R$ 140 milhões estão no centro da negociação

O ponto que mais chama atenção para a atual administração é a antecipação de R$ 140 milhões prevista no acordo. O valor é formado por R$ 110 milhões de antecipação financeira e outros R$ 30 milhões relacionados à gestão do camarote 29A.

Os R$ 110 milhões seriam disponibilizados em até 45 dias após a assinatura, em formato de empréstimo, com devolução pelo São Paulo ao longo de cinco anos e juros vinculados ao CDI mais 1,99%. Já os R$ 30 milhões estão relacionados ao direito de administração do camarote por cinco anos.

A operação é vista pela diretoria como uma maneira de ganhar fôlego imediato no fluxo de caixa e enfrentar compromissos que pressionam o clube.

Elenco está entre as prioridades

Uma das principais preocupações da gestão Massis é justamente a situação financeira envolvendo os jogadores. Os direitos de imagem estão atrasados, e a diretoria trabalha com a expectativa de utilizar os recursos da operação para regularizar essas pendências.

O acordo já era tratado internamente como uma das principais alternativas para colocar os pagamentos em ordem. Reportagens anteriores mostraram que a diretoria estabeleceu o fim de setembro como prazo para tentar solucionar os débitos com o elenco.

Por isso, a votação ganhou ainda mais peso. Para Massis, não se trata apenas de definir quem administrará a bilheteria do Morumbis no futuro, mas também de viabilizar recursos para enfrentar uma crise financeira imediata.

Olten havia criado comissão para analisar contrato

A relação entre os dois dirigentes, entretanto, esteve longe de ser tranquila durante o processo. Olten havia criado uma Comissão de Análise de Contrato para estudar a proposta da Ticketmaster depois de receber questionamentos da NewC, empresa que participou da concorrência.

A comissão foi criada justamente para analisar as alegações apresentadas pela concorrente e produzir um parecer antes de uma eventual votação.

O movimento provocou forte reação de Massis, que entendia que a demora poderia comprometer o planejamento financeiro do clube. A diretoria chegou a defender publicamente que o processo havia seguido os trâmites internos e que a proposta escolhida oferecia segurança jurídica ao São Paulo.

Agora, com a comissão tendo concluído seu trabalho e a votação finalmente marcada, o impasse institucional dá lugar a uma decisão do Conselho.

Acordo reduz tensão entre Massis e Olten

A retirada da representação contra Olten e a marcação da votação da Ticketmaster aconteceram praticamente no mesmo momento. O movimento foi interpretado nos bastidores como um acordo político entre os dois lados para reduzir a tensão e permitir que o clube avance em uma questão considerada urgente.

Isso não significa que todas as divergências entre Massis e Olten tenham desaparecido. Os dois pertencem a grupos políticos diferentes e seguem inseridos em um ambiente de disputa pelo futuro do São Paulo.

A diferença é que, neste momento, houve uma convergência de interesses. Massis precisava que a Ticketmaster chegasse ao Conselho; Olten tinha sob sua responsabilidade justamente conduzir o processo de análise e votação.

NewC havia questionado processo

A votação também ocorrerá depois de uma contestação apresentada pela NewC, concorrente da Ticketmaster no processo de escolha.

A empresa questionou aspectos da condução da concorrência e apresentou uma estrutura financeira própria, que chegou a ser divulgada como uma operação potencialmente superior em volume total. O São Paulo, porém, rejeitou a proposta e manteve a escolha da Ticketmaster.

É importante destacar que os questionamentos da NewC não significam, por si só, que irregularidades tenham sido comprovadas. Eles foram justamente um dos motivos para a criação da comissão que analisou o contrato.

Agora, caberá aos conselheiros decidir se aprovam ou não o acordo.

O que está em jogo para o São Paulo

A votação do dia 29 será importante por dois motivos diferentes. No aspecto operacional, poderá definir a empresa responsável pela gestão dos ingressos do Morumbis a partir de 2027. No aspecto financeiro, a aprovação abre caminho para uma antecipação de recursos considerada fundamental pela atual gestão.

Além dos R$ 140 milhões, o contrato prevê a gestão do camarote 29A e outros componentes relacionados à operação de ingressos e ao programa de sócio-torcedor.

Para o São Paulo, portanto, a decisão do Conselho terá impacto que vai muito além da troca de uma empresa de bilheteria.