Pedro Emanuel organiza Vasco, mas erra nas mexidas e expõe principal carência contra Olimpia
Time domina, cria cinco grandes chances, mas sofre com falta de poder de decisão no ataque; técnico também deixa dúvidas nas substituições durante o empate sem gols pela Sul-Americana O Vasco ficou no empate por 0 a 0 co...
O Vasco ficou no empate por 0 a 0 com o Olimpia, nesta quinta-feira (13), em São Januário, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana. Apesar do resultado frustrante, a atuação deixou uma leitura importante sobre o trabalho de Pedro Emanuel.
O treinador português conseguiu dar uma identidade mais clara à equipe, especialmente na organização defensiva e na ocupação do meio-campo, mas ainda encontra dificuldades para transformar esse controle em gols.
Mesmo desfalcado de cinco titulares, o Vasco teve o domínio territorial durante boa parte da partida. No 1º tempo, foram oito finalizações e oito escanteios, contra nenhuma finalização do adversário. O Olimpia praticamente não conseguiu atacar e passou boa parte dos 45 minutos recuado, tentando sobreviver à pressão vascaína.
A estratégia de Pedro Emanuel funcionou nesse aspecto. O Vasco circulou a bola, movimentou seus jogadores e conseguiu encontrar espaços principalmente pelos lados do campo. A equipe também recuperava a posse rapidamente quando perdia a bola, impedindo que os paraguaios conseguissem construir contra-ataques.
O problema apareceu justamente onde o jogo seria decidido: no último terço.
Vasco teve o controle, mas faltou qualidade na frente
A equipe cruz-maltina terminou a partida com 20 finalizações e cinco grandes chances criadas, números que mostram que o empate não aconteceu por falta de volume. O Vasco chegou ao ataque, rondou a área do Olimpia e criou oportunidades suficientes para sair de São Januário com uma vantagem.
O goleiro Olveira, inclusive, foi um dos principais responsáveis pelo 0 a 0. Rojas, David, Nuno Moreira e Puma Rodríguez tiveram oportunidades, mas não conseguiram superar o arqueiro paraguaio.
É justamente nesse ponto que fica evidente uma das principais carências do elenco: falta um jogador capaz de transformar o volume ofensivo em gols.
Pedro Emanuel está conseguindo construir uma equipe mais organizada. O Vasco se movimenta, troca posições e demonstra uma ideia de jogo mais clara. Porém, quando chega perto da área, falta o último passe, a finalização mais qualificada e, principalmente, um centroavante capaz de decidir.
As substituições de Pedro Emanuel geram questionamentos
Se a organização da equipe merece elogios, as decisões de Pedro Emanuel durante a partida deixam margem para críticas.
O treinador insistiu até o fim com David e Rojas, dois jogadores que tiveram dificuldades para produzir ofensivamente. A leitura era de que uma mudança poderia ter alterado o cenário da partida, principalmente diante de um Olimpia que praticamente não oferecia perigo.

Uma alternativa seria tirar David e Rojas, centralizar Nuno Moreira e abrir espaço para Adson e Hinestroza atuarem pelos lados. A mudança poderia dar ao Vasco mais velocidade, profundidade e capacidade de desequilibrar individualmente.
O problema é que Pedro Emanuel demorou para alterar uma estrutura que já não estava funcionando ofensivamente. O Vasco continuou com posse e controle territorial, mas sem conseguir aumentar a intensidade e transformar a superioridade em gol.
No 2º tempo, isso ficou ainda mais evidente. O Vasco chegou a criar uma boa oportunidade logo aos dois minutos, mas depois passou longos períodos sem finalizar. A equipe só voltou a registrar uma finalização aos 30 minutos, mostrando como perdeu força depois do intervalo.
O grande dilema: David ou Spinelli?
Outro ponto que Pedro Emanuel terá de resolver é a disputa pela posição de centroavante.
Hoje, o treinador parece ter um dilema entre utilizar um atacante mais associativo, capaz de participar da construção das jogadas, ou apostar em um jogador com características mais próximas de um camisa 9 tradicional, preocupado principalmente em atacar a área e finalizar.
Contra o Olimpia, ficou evidente que o Vasco precisava justamente desse segundo perfil em determinados momentos.

O time tinha a bola, chegava ao último terço e encontrava dificuldades para transformar a posse em perigo real. Spinelli entrou na partida e ainda teve a última grande oportunidade, aos 45 minutos, quando recebeu cruzamento na pequena área e finalizou de primeira, mas mandou para fora.
A questão, portanto, não é apenas escolher entre um jogador e outro. É entender qual característica o Vasco precisa para complementar o modelo de jogo que Pedro Emanuel está tentando implementar.
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