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As 20 demissões ou rescisões que causaram polêmicas no Campeonato Brasileiro

As 20 demissões ou rescisões que causaram polêmicas no Campeonato Brasileiro

19/08/2026 19:26

Relembre saídas de técnicos e jogadores que provocaram debates e surpreenderam no futebol brasileiro Ao longo da história do Campeonato Brasileiro, algumas demissões de treinadores e rescisões de contratos com jogadores ...

Relembre saídas de técnicos e jogadores que provocaram debates e surpreenderam no futebol brasileiro

Ao longo da história do Campeonato Brasileiro, algumas demissões de treinadores e rescisões de contratos com jogadores ficaram marcadas não apenas pelo momento em que aconteceram, mas também pela repercussão entre torcedores e imprensa. Em determinadas situações, a decisão surpreendeu pelo contexto ou pela justificativa apresentada pelos clubes.

Em outros casos, a saída aconteceu depois de uma sequência de resultados negativos, mas ainda assim gerou questionamentos. Técnicos que tinham conquistado títulos, jogadores considerados importantes ou profissionais que viviam bom momento acabaram deixando seus clubes em meio a debates sobre a necessidade ou não da ruptura.

Por isso, algumas dessas decisões se tornaram especialmente controversas no futebol brasileiro. A lista reúne 20 demissões ou rescisões que chamaram atenção no Campeonato Brasileiro, levando em consideração a repercussão e o contexto de cada saída.

20) Ramón Díaz (Botafogo – 2020)

Ramón Díaz. Foto: Jorge Rodrigues/AGIF
Ramón Díaz. Foto: Jorge Rodrigues/AGIF

A contratação de Ramón Díaz pelo Botafogo em novembro de 2020 transformou-se em um dos casos mais incomuns da gestão do futebol brasileiro. Anunciado para comandar o time na luta contra o rebaixamento no Brasileirão, o técnico argentino precisou passar por um procedimento cirúrgico em Assunção logo após a assinatura do contrato, adiando sua chegada ao Rio de Janeiro.

Enquanto Ramón se recuperava, seu filho e auxiliar técnico, Emiliano Díaz, assumiu o comando da equipe à beira do gramado por três partidas, sofrendo três derrotas consecutivas. Pressionada pela situação crítica na tabela e sem paciência para aguardar o prazo de recuperação do treinador principal, a diretoria botafoguense optou por rescindir o contrato com apenas 16 dias de vínculo, sem que Ramón Díaz chegasse a orientar o time em uma partida oficial.

19) Paolo Guerrero (Corinthians / Flamengo – 2015)

Paolo Guerrero. Foto: Pedro Martins/AGIF
Paolo Guerrero. Foto: Pedro Martins/AGIF

Paolo Guerrero cimentou seu nome na história do Corinthians ao marcar os gols decisivos na semifinal e na final do Mundial de Clubes de 2012 contra o Chelsea. Nos anos seguintes, o atacante peruano virou referência do time, repetindo frequentemente em entrevistas que, no futebol brasileiro, só vestiria a camisa alvinegra.

Porém, ao longo do primeiro semestre de 2015, as negociações para a renovação de seu contrato emperraram na exigência de luvas financeiras elevadas. Sem acordo com a diretoria paulista, o jogador solicitou a rescisão antecipada de seu contrato a poucas semanas do fim do vínculo e acertou com o Flamengo. A mudança gerou mágoa na torcida do Parque São Jorge pela quebra da promessa de exclusividade.

18) Emerson Sheik (Fluminense – 2011)

Emerson Sheik. Foto: Divulgação/Fluminense
Emerson Sheik. Foto: Divulgação/Fluminense

Emerson Sheik entrou para a história do Fluminense ao marcar o gol que selou o título do Campeonato Brasileiro de 2010 na última rodada contra o Guarani. Contudo, a passagem do atacante pelas Laranjeiras encerrou-se de forma abrupta e polêmica poucos meses depois. Em abril de 2011, a caminho do aeroporto para um jogo decisivo da Libertadores contra o Argentinos Juniors, o jogador foi visto cantando uma música do rival Flamengo no ônibus da delegação.

A atitude foi entendida pela comissão técnica e pela diretoria como um desrespeito grave à instituição e aos companheiros de grupo. Emerson foi cortado da viagem imediatamente e teve seu contrato rescindido no dia seguinte. Pouco tempo depois, o atacante assinou com o Corinthians, onde conquistaria a Libertadores e o Mundial no ano seguinte.

17) Vanderlei Luxemburgo (Palmeiras – 2009)

Vanderlei Luxemburgo. Foto: Alexandre Schneider/Getty Images
Vanderlei Luxemburgo. Foto: Alexandre Schneider/Getty Images

Em junho de 2009, o Palmeiras vivia um momento decisivo com a iminente venda do jovem atacante Keirrison para o Barcelona. Insatisfeito com o andamento das negociações promovidas pela diretoria e com a conduta do atleta, o técnico Vanderlei Luxemburgo manifestou publicamente em suas redes sociais que o jogador não atuaria mais sob seu comando caso permanecesse no clube.

A declaração do treinador foi recebida pela diretoria alviverde como uma clara afronta à autoridade da gestão e uma interferência indevida em negócios institucionais. Horas após a publicação nas redes, o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo anunciou a demissão de Luxemburgo por justa causa, marcando um episódio emblemático de quebra de hierarquia no futebol.

16) Jô (Corinthians – 2022)

Jô. Foto: Alexandre Schneider/Getty Images
Jô. Foto: Alexandre Schneider/Getty Images

Revelado na base e campeão pelo Corinthians em diferentes passagens, o atacante teve seu último ciclo no clube encerrado de forma melancólica. Em junho de 2022, enquanto se recuperava de uma lesão sob os cuidados do departamento médico, o jogador foi filmado em um bar tocando pagode durante o horário em que o Corinthians jogava contra o Cuiabá pelo Brasileirão.

Para agravar o quadro, Jô faltou à sessão de tratamento na manhã seguinte no centro de treinamento. A repercussão do caso entre a torcida e a diretoria tornou a permanência do atleta insustentável no ambiente de cobrança da equipe. Diante do desgaste público, ambas as partes fecharam um acordo para a rescisão amigável do contrato.

15) Mano Menezes (Flamengo – 2013)

Mano Menezes. Foto: Buda Mendes/Getty Images
Mano Menezes. Foto: Buda Mendes/Getty Images

Mano Menezes protagonizou uma das coletivas de imprensa mais surpreendentes da história do Flamengo em setembro de 2013. Logo após uma derrota por 2 a 1 para o Criciúma, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro, o treinador sentou-se na sala de imprensa e anunciou seu pedido de demissão de forma unilateral, antes mesmo de comunicar oficialmente a diretoria.

Mano declarou abertamente que sentia que seus conceitos e orientações táticas não estavam sendo absorvidos pelo grupo de jogadores, optando por dar um passo atrás. A decisão pegou a diretoria rubro-negra desprevenida, mas acabou abrindo caminho para que o auxiliar técnico Jayme de Almeida assumisse o time e o conduzisse ao título da Copa do Brasil naquele mesmo ano.

14) Juninho Pernambucano (Vasco – 2001)

Juninho Pernambucano. Foto: Fabio Castro/AGIF
Juninho Pernambucano. Foto: Fabio Castro/AGIF

Um dos maiores ídolos da história do Vasco, Juninho Pernambucano foi peça chave nas conquistas da Libertadores de 1998 e do Brasileirão de 2000. Apesar do sucesso esportivo dentro de campo, a relação entre o meia e a alta cúpula vascaína, chefiada por Eurico Miranda, desgastou-se devido a divergências sobre salários e não recolhimento de obrigações trabalhistas.

No início de 2001, Juninho recorreu à Justiça do Trabalho alegando o não pagamento do FGTS para obter a quebra liminar do contrato com o Cruz-Maltino. A vitória judicial permitiu ao atleta se transferir gratuitamente para o Lyon, da França. A saída conturbada gerou mágoa temporária com a diretoria da época, mas o jogador retornaria anos mais tarde para encerrar sua carreira em São Januário.

13) Ricardinho (Corinthians / São Paulo – 2002)

Ricardinho. Foto: Getty Images
Ricardinho. Foto: Getty Images

Ricardinho era uma das referências técnicas do Corinthians nas conquistas do Campeonato Brasileiro de 1998 e 1999 e do Mundial de Clubes de 2000. O meia exercia papel de liderança tática e tinha papel de destaque no esquema do time. Entretanto, na metade de 2002, o São Paulo, com o apoio de um grupo de investidores, viabilizou o pagamento da multa rescisória do atleta.

A transferência direta do jogador para o Morumbi causou forte impacto no futebol paulista. Elenco e torcida do Corinthians encararam a mudança do meia para o principal rival como um ato de deslealdade. O reencontro de Ricardinho com a torcida corintiana nos clássicos seguintes foi marcado por protestos intensos e clima de extrema rivalidade.

12) Fagner (Corinthians – 2026)

Fagner. Foto: Reinaldo Campos/AGIF
Fagner. Foto: Reinaldo Campos/AGIF

A despedida do lateral-direito Fagner do Corinthians deu-se após 11 anos de serviços prestados e mais de 500 partidas com a camisa alvinegra. Após passar um período emprestado ao Cruzeiro, o jogador retornou ao Parque São Jorge para cumprir o restante de seu vínculo contratual. Contudo, a diretoria buscou o encerramento da relação argumentando a necessidade de readequação financeira e folha de pagamento.

A polêmica estourou quando Fagner foi a público contestar a versão apresentada pela gestão. O jogador revelou ter sido informado sobre seu desligamento por telefone, sem uma conversa presencial ou planejamento para uma despedida no gramado. A declaração expôs a falta de alinhamento interno e dividiu a torcida entre o respeito à história do atleta e a necessidade de renovação do elenco.

11) Muricy Ramalho (São Paulo – 2009)

Muricy Ramalho. Foto: Felipe Oliveira/Getty Images
Muricy Ramalho. Foto: Felipe Oliveira/Getty Images

Muricy Ramalho foi o pilar técnico da era mais vitoriosa do São Paulo nos pontos corridos, conquistando o tricampeonato brasileiro em 2006, 2007 e 2008. A identificação do treinador com o clube e a torcida era enorme, tornando a comissão técnica praticamente intocável no âmbito nacional. Porém, as constantes eliminações em mata-matas da Copa Libertadores começaram a desgastar a relação do técnico com o presidente Juvenal Juvêncio.

Em junho de 2009, após a derrota e eliminação para o Cruzeiro nas quartas de final do torneio continental dentro do Morumbi, a diretoria optou pela demissão do treinador. A notícia encerrou bruscamente um ciclo histórico no clube. A saída de Muricy abriu um longo período de instabilidade no comando técnico do São Paulo, que levou anos até reencontrar um padrão de jogo consistente.

10) Willian Arão (Botafogo / Flamengo – 2015)

Willian Arão. Foto: Paulo Campos/AGIF
Willian Arão. Foto: Paulo Campos/AGIF – Foto: Paulo Campos/AGIF

Willian Arão foi um dos grandes destaques do Botafogo na campanha de acesso na Série B de 2015. O contrato do volante possuía uma cláusula que previa a renovação automática por mais uma temporada mediante o depósito de um valor fixado pelo clube. O Botafogo efetuou o depósito, mas o jogador devolveu a quantia, alegando que a cláusula violava a legislação trabalhista e o direito de livre escolha do atleta.

Livre do vínculo por meio de decisão judicial, Arão acertou sua transferência para o Flamengo no final daquele ano. O Botafogo ingressou com uma dura ação na Justiça do Trabalho cobrando indenização milionária por quebra contratual. O litígio arrastou-se nos tribunais por anos, tornando o volante uma figura rechaçada pela torcida alvinegra a cada clássico carioca.

9) Eduardo Coudet (Internacional – 2020)

Eduardo Coudet. Foto: Liamara Polli-Pool/Getty Images
Eduardo Coudet. Foto: Liamara Polli-Pool/Getty Images

Eduardo Coudet realizava uma campanha sólida à frente do Internacional no segundo semestre de 2020, mantendo o time na liderança do Campeonato Brasileiro e avançando nos mata-matas da Copa do Brasil e da Libertadores. Contudo, o treinador argentino cobrava publicamente e de forma ríspida a chegada de novos reforços, alegando que o elenco colorado era curto e não suportaria o calendário sobrecarregado.

A relação com os dirigentes estremeceu gradativamente devido ao tom das cobranças nas entrevistas coletivas. Ao receber uma proposta do Celta de Vigo, da Espanha, Coudet optou por solicitar a rescisão imediata do seu contrato em novembro de 2020. A saída do técnico no topo da tabela do Brasileirão gerou grande frustração entre os torcedores e dividiu o ambiente político do clube gaúcho.

8) Paulo Henrique Ganso (Santos / São Paulo – 2012)

Paulo Henrique Ganso. Foto: Lintao Zhang/Getty Images
Paulo Henrique Ganso. Foto: Lintao Zhang/Getty Images

Surgido como uma das maiores promessas da base do Santos ao lado de Neymar, Paulo Henrique Ganso viveu um processo lento e desgastante de ruptura com o Peixe. Insatisfeito com as propostas de renovação contratual, a divisão de seus direitos econômicos entre o clube e o grupo DIS e os valores oferecidos em relação aos de outros nomes da equipe, o meia começou a ter sua relação com a diretoria deteriorada.

O desgaste extrapolou para as arquibancadas, e o atleta passou a ser hostilizado por parte da torcida na Vila Belmiro. Diante do impasse, o São Paulo enxergou a oportunidade de mercado e iniciou uma negociação arrastada. Em setembro de 2012, o Tricolor efetuou o pagamento da multa rescisória, concretizando uma das transferências mais tensas e diretas entre rivais do futebol paulista.

7) Filipe Luís (Flamengo – 2026)

Filipe Luís. Foto: Buda Mendes/Getty Images
Filipe Luís. Foto: Buda Mendes/Getty Images

A demissão de Filipe Luís no Flamengo entrou para a história do futebol brasileiro pelo contexto absurdo de seu desfecho. Após aplicar uma goleada por 8 a 0 sobre o Madureira e assegurar a classificação para a final do Campeonato Carioca, a diretoria rubro-negra comunicou o desligamento do treinador na madrugada seguinte à partida.

O ambiente interno já vinha em aparente desgaste por conta de visões divergentes sobre o planejamento do elenco e a montagem do time para os compromissos internacionais do ano. Ainda assim, a decisão de desligar um técnico vitorioso e ídolo recente no momento de uma vitória contundente gerou forte revolta na torcida e na imprensa esportiva, expondo rusgas profundas entre a comissão técnica e a gestão do clube.

6) Gustavo Scarpa (Fluminense / Palmeiras – 2018)

Gustavo Scarpa. Foto: Alexandre Loureiro/Getty Images
Gustavo Scarpa. Foto: Alexandre Loureiro/Getty Images

Destaque e principal articulador do Fluminense, Gustavo Scarpa buscou a rescisão contratual via Justiça do Trabalho no início de 2018. O jogador alegou o atraso recorrente de salários, direitos de imagem e não recolhimento de FGTS por parte do clube carioca. Conseguindo a liberação liminar, o meia assinou um contrato de longa duração com o Palmeiras.

Inconformado com a perda do seu principal ativo sem compensação financeira, o Fluminense iniciou uma batalha de recursos na Justiça comum. A liminar de Scarpa foi cassada e concedida novamente por diversas vezes, criando um cenário de incerteza que impediu o atleta de jogar ou mesmo treinar com o elenco palmeirense por meses. O imbróglio jurídico só foi encerrado no segundo semestre, quando o Palmeiras aceitou pagar um valor de indenização ao clube das Laranjeiras para selar a permanência do atleta em definitivo.

5) Rogério Ceni (Cruzeiro – 2019)

Rogério Ceni. Foto: Pedro Vilela/Getty Images
Rogério Ceni. Foto: Pedro Vilela/Getty Images

Contratado para tentar estancar a crise esportiva do Cruzeiro no Campeonato Brasileiro de 2019, Rogério Ceni permaneceu apenas 45 dias no comando da Raposa. O técnico tentou implementar uma rotina de treinos intensa e promover a renovação na equipe titular, retirando do time nomes históricos e experientes. A metodologia do treinador chocou-se diretamente com a postura dos líderes do vestiário.

O ápice da crise ocorreu após um empate contra o Ceará, quando um forte bate-boca no vestiário envolveu jogadores veteranos e a comissão técnica. Pressionada pelas lideranças do elenco, a diretoria cruzeirense cedeu e optou por demitir Ceni. O episódio simbolizou o descontrole da gestão e abriu caminho para o inédito rebaixamento do clube à Série B ao fim daquela temporada.

4) Ronaldinho Gaúcho (Flamengo / Atlético-MG – 2012)

Ronaldinho Gaúcho. Foto: Divulgação/Conmebol
Ronaldinho Gaúcho. Foto: Divulgação/Conmebol

A relação entre Ronaldinho Gaúcho e o Flamengo atingiu o ponto de ruptura em maio de 2012. Contratado sob enorme festa no início de 2011, o astro viveu momentos de altos e baixos na Gávea, em um contrato tripartite que dependia de repasses financeiros da parceira Traffic. Com o acúmulo de atrasos nos pagamentos de salários e direitos de imagem, o desgaste entre o staff do jogador e a diretoria do clube tornou-se insustentável.

A advogada do atleta ingressou com uma ação na Justiça do Trabalho cobrando uma quantia milionária e obtendo a rescisão liminar do contrato. O desligamento abrupto pegou a diretoria flamenguista de surpresa. Dias depois, Ronaldinho reapareceu em Belo Horizonte para assinar com o Atlético Mineiro, onde viveu um renascimento técnico, assumiu a camisa 10 e liderou o Galo na conquista inédita da Copa Libertadores no ano seguinte.

3) Vítor Pereira (Corinthians / Flamengo – 2022)

Vítor Pereira. Foto: Ricardo Moreira/Getty Images
Vítor Pereira. Foto: Ricardo Moreira/Getty Images

A passagem de Vítor Pereira pelo Corinthians em 2022 foi marcada por um futebol competitivo que levou o clube ao vice-campeonato da Copa do Brasil e ao G-4 do Brasileirão. Ao término da temporada, o treinador manifestou repetidas vezes o carinho pelo clube e pela torcida, afirmando em coletivas que gostaria de permanecer, mas que não poderia fazê-lo devido a um grave problema de saúde de sua sogra, o que exigiria sua volta imediata a Portugal.

O tom de comoção e respeito no Parque São Jorge deu lugar a uma onda de indignação poucas semanas depois. Antes do fim do ano, o técnico acertou sua ida para o Flamengo, rival direto nas disputas nacionais. A reviravolta foi vista no Corinthians como uma quebra ética profunda, transformando as partidas subsequentes entre o treinador e seu ex-clube em confrontos cercados de enorme hostilidade por parte dos torcedores alvinegros.

2) Dorival Júnior (Flamengo – 2022)

Dorival Júnior. Foto: Buda Mendes/Getty Images
Dorival Júnior. Foto: Buda Mendes/Getty Images

Dorival Júnior assumiu o Flamengo em um momento de absoluta instabilidade na temporada de 2022 e promoveu uma reformulação rápida. O treinador reorganizou o meio-campo, promoveu a convivência harmônica entre Pedro e Gabigol no ataque e conduziu o time aos títulos da Copa do Brasil e da Copa Libertadores em um curto intervalo de meses. O clima entre elenco e comissão técnica parecia ideal para a sequência do trabalho na temporada seguinte.

No entanto, nos bastidores da comemoração dos títulos, a diretoria rubro-negra já avaliava que o desempenho da equipe havia oscilado na reta final do Campeonato Brasileiro. Em uma manobra surpreendente, os dirigentes optaram por não renovar seu contrato e fecharam em segredo com o português Vítor Pereira. A frieza da demissão repercutiu mal entre os torcedores e cobrou seu preço em 2023, quando o Flamengo acumulou sucessivas perdas de títulos no início do ano.

1) Oscar (São Paulo / Internacional – 2010)

Oscar. Foto: Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
Oscar. Foto: Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

A saída do jovem meia Oscar do São Paulo foi uma das batalhas jurídicas mais arrastadas do esporte nacional. O atleta alegou ter sido induzido a assinar um contrato de longa duração ainda menor de idade, além de apontar atrasos nos depósitos do FGTS. Amparado por liminares na Justiça do Trabalho, conseguiu se desvincular do clube paulista e assinou com o Internacional, onde rapidamente se tornou o principal organizador do time gaúcho.

A diretoria do São Paulo não aceitou a perda e recorreu até as últimas instâncias nos tribunais, argumentando que a quebra contratual abria um precedente perigoso para a formação de atletas no país. O imbróglio jurídico durou mais de dois anos e travou momentaneamente a carreira do jogador em episódios em que ele ficava impedido de atuar. O nó só foi desatado em 2012, quando o Internacional concordou em pagar cerca de R$ 15 milhões ao Tricolor para encerrar o processo e liberar a transferência de Oscar ao Chelsea.