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Palmeiras produz e domina, mas expõe alerta que ameaça reta final da temporada

Palmeiras produz e domina, mas expõe alerta que ameaça reta final da temporada

21/09/2026 19:27

Com dez rodadas pela frente, o desafio palmeirense ganhou uma camada tática preocupante. O time precisa fazer o volume que já apresenta valer mais na tabela O 0 a 0 diante do Grêmio deixou um paradoxo difícil de ignorar ...

Com dez rodadas pela frente, o desafio palmeirense ganhou uma camada tática preocupante. O time precisa fazer o volume que já apresenta valer mais na tabela

O 0 a 0 diante do Grêmio deixou um paradoxo difícil de ignorar no Palmeiras. O time teve 72% de posse, 31 finalizações, dez delas no alvo, nove escanteios, mas voltou de Porto Alegre com apenas um ponto. Foi, inclusive, a maior produção ofensiva do Verdão desde a retomada do Campeonato Brasileiro após a Copa do Mundo. O Verdão chegou, chegou muito, mas novamente não conseguiu transformar esse volume em gol.

Dentro dessa fotografia, Carlos Miguel aparece como uma das poucas respostas individuais positivas. O goleiro teve quatro defesas e foi importante para evitar que o Grêmio aproveitasse os espaços encontrados em alguns contra-ataques. Em um olhar mais preocupado, isso também impede uma leitura exageradamente favorável ao Palestra, pois mesmo dominando amplamente a partida, o Verdão permitiu que o adversário chegasse ao gol e exigisse intervenções cruciais do seu goleiro.

O paradoxo fica ainda mais evidente quando se observa a quantidade de oportunidades criadas. Foram 19 finalizações do Palmeiras de dentro da área, cinco grandes chances criadas e duas bolas na trave. Ainda assim, o placar permaneceu zerado. A atuação ofensiva teve volume suficiente para justificar a expectativa de gol, mas novamente faltou transformar superioridade em vantagem.

Quando o duelo contra o Grêmio deixa de ser apenas um jogo e passa a ser uma amostra, o cenário ganha outro peso. Antes da pausa para a Copa, o Palmeiras havia conquistado 75,9% dos pontos, com 12 vitórias, cinco empates e apenas uma derrota em 18 partidas. Depois da retomada, são quatro vitórias, quatro empates e duas derrotas em dez rodadas, aproveitamento de 53,3%. A queda de rendimento, portanto, é objetiva: o time perdeu mais de 22 pontos percentuais de aproveitamento justamente na fase em que a disputa pelo título ficou mais apertada.

A virada de chave negativa do Palestra

Os tropeços ajudam a explicar por que a questão ofensiva ganhou tanta relevância. Desde a volta do Brasileirão, o Palmeiras empatou com Internacional, Mirassol e Grêmio, todos adversários envolvidos na parte inferior da tabela. O problema não está em afirmar que o Verdão deveria necessariamente vencer todos esses confrontos, mas em perceber a repetição: quando a partida exige que o favorito transforme domínio ou oportunidades em três pontos, a margem de segurança do Palmeiras diminui consideravelmente.

Há uma ironia estatística importante nessa história: o empate com o Grêmio aconteceu justamente quando o Palmeiras apresentou seu maior volume ofensivo desde a retomada. Isso significa que seria equivocado diagnosticar simplesmente uma queda na capacidade de atacar. A equipe continua conseguindo ocupar o campo adversário, finalizar e criar. O que aparece com mais força é a dificuldade de fazer essa produção se converter em resultado com regularidade. O 0 a 0, nesse sentido, não torna o diagnóstico mais evidente.

A situação fica ainda mais delicada quando se olha para o líder. O Flamengo chegou a 60 pontos depois de vencer o Bragantino por 2 a 1, enquanto o Palmeiras ficou nos 57. O Verdão, que chegou à pausa da Copa com sete pontos de vantagem sobre o rival, perdeu essa gordura ao longo da retomada. A diferença atual não nasceu de uma única rodada, mas de uma sequência na qual o Palmeiras passou a somar pontos em ritmo inferior ao apresentado no primeiro trecho do campeonato.

As camadas do problema

Isso revela que a deficiência ofensiva precisa ser tratada em mais de uma camada. Existe a eficácia na conclusão, mas também existe a capacidade de transformar superioridade territorial em vantagem antes que o adversário encontre uma resposta. Contra o Grêmio, por exemplo, o Palestra terminou com 2,53 de xG (expectativa de gol) contra 0,92 do adversário. A diferença foi grande, mas o placar não registrou nenhuma delas.

Um empate em uma partida de domínio absoluto pode parecer normal quando analisado isoladamente, repetido dentro de uma sequência de resultados apertados, transforma-se em preocupante padrão, destacando uma questão estrutural para quem pretende terminar o campeonato na primeira colocação.

Por isso, o 0 a 0 de Porto Alegre não deveria provocar uma reação simplista de que o Palmeiras jogou mal. Os números apontam justamente para o contrário. O time teve uma produção ofensiva que, em circunstâncias normais, deveria resultar em gol. O alerta está em outro lugar: mesmo quando consegue impor seu jogo, o Palmeiras está encontrando dificuldade para transformar essa imposição em três pontos e, na reta final, esse detalhe pode custar caro.

Seria injusto afirmar que o Palmeiras deixou de ser competitivo no Brasileirão ou que seu ataque simplesmente parou de funcionar. Os números do jogo contra o Grêmio mostram justamente uma equipe capaz de produzir em alto nível. Quando a conversão não acompanha a produção, até uma atuação dominante termina parecendo um tropeço e a tabela não premia volume, mas gols e pontos.

Problema urgente a ser resolvido

O Grêmio, portanto, não criou sozinho um problema para o Palmeiras. Apenas ofereceu uma fotografia bastante nítida de uma questão que já vinha aparecendo no Brasileirão: volume, domínio e superioridade estatística não bastam quando a eficiência não acompanha. Carlos Miguel pode sair fortalecido individualmente, mas o Palmeiras deixa Porto Alegre com uma cobrança coletiva evidente: encontrar uma maneira de fazer o futebol que produz valer mais na tabela. E, com o Flamengo três pontos à frente e apenas dez rodadas restantes, o campeonato já não oferece muito espaço para continuar confundindo domínio com resultado.

O fato que preocupa expõe a perda da margem de erro do Palmeiras no Brasileirão. A equipe ainda produz, ainda controla jogos e ainda possui recursos para criar chances, mas o aproveitamento de 53,3% dos pontos após a Copa mostra que algo mudou. Com dez rodadas restantes e três pontos de desvantagem para o Flamengo, o desafio maior para a SEP está no setor ofensivo. É transformar melhor aquilo que já está sendo criado. Porque, na reta final, 31 finalizações e zero gols deixam de ser apenas uma estatística curiosa e passam a representar exatamente o tipo de desperdício que pode decidir um campeonato.