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Opinião: Apoio a Memphis mostra como o torcedor corintiano está cansado

Opinião: Apoio a Memphis mostra como o torcedor corintiano está cansado

12/08/2026 16:56

Reação à saída do holandês expõe cansaço da torcida com os rumos do Corinthians Eu não acho que o apoio em alta escala a Memphis Depay nas últimas horas seja apenas sobre ele. Se fosse, seria mais uma discussão de mercad...

Reação à saída do holandês expõe cansaço da torcida com os rumos do Corinthians

Eu não acho que o apoio em alta escala a Memphis Depay nas últimas horas seja apenas sobre ele. Se fosse, seria mais uma discussão de mercado, daquelas que começam com um jogador e terminam quando ele veste outra camisa.

A torcida corintiana nunca escolheu jogador. Isso não acontece. Muitos ídolos surgiram no Parque São Jorge, brilharam e partiram. Essa torcida já abraçou estrangeiros, pratas da casa, craques e jogadores que chegaram desacreditados.

E, quando todos foram embora, ela continuou lá. Por isso, o tamanho da reação a Memphis revela algo muito maior: existe um torcedor cansado.

O problema é maior do que Memphis…

A saída do holandês é apenas o estopim de um problema muito mais antigo. Por trás dela estão as disputas pelo poder, as decisões que nem sempre parecem colocar o Corinthians em primeiro lugar e uma torcida que está cansada de sobreviver às turbulências do próprio clube.

Em breve, o ex-camisa 10 deverá conceder uma coletiva de imprensa, e uma expectativa que ganhou força entre os torcedores é de que Memphis revele detalhes dos bastidores e conte um pouco mais sobre tudo o que viveu internamente no Corinthians.

E talvez seja aí que Memphis se aproxime de uma história que o Corinthians conhece bem

Na década de 1980, Sócrates e outros jogadores entenderam que vestir a camisa do Corinthians também significava ter voz sobre aquilo que acontecia dentro do clube. A Democracia Corintiana nasceu desse desejo de participar, questionar e não aceitar que decisões importantes fossem tomadas sempre longe de quem fazia o Corinthians existir.

Hoje, o contexto é completamente diferente. Memphis não é Sócrates, e 2026 não é 1982. Mas existe uma ligação impossível de ignorar: um jogador que se recusou a ficar indiferente diante dos problemas do time e uma torcida que parece cada vez menos disposta a simplesmente aceitar.

A saída de Memphis pode até ser uma decisão já tomada, mas a reação da torcida mostra que o assunto está longe de terminar. E, enquanto houver uma luz no fim do túnel, a Fiel vai continuar brigando por aquilo que entende ser justo para o Corinthians e, principalmente, por um clube que volte a colocar o seu torcedor no centro das decisões.