Andreas Pereira muda estratégia do Palmeiras após desfalque de Vitor Roque na Libertadores
Mais do que encontrar um substituto para Vitor Roque, o Palmeiras precisa redistribuir funções, é nesse ajuste que Andreas pode ganhar protagonismo A ausência de Vitor Roque na semifinal da Libertadores contra o Fluminen...
A ausência de Vitor Roque na semifinal da Libertadores contra o Fluminense obriga o Palmeiras a resolver uma questão que vai além da escolha de um substituto. Nesta quarta-feira (14), no Maracanã, o Verdão precisa reorganizar suas referências ofensivas sem abrir mão da agressividade que marcou a goleada por 4 a 1 sobre o Corinthians. Nesse cenário, Andreas Pereira ganha importância especial, pois a mudança na composição do time pode permitir que o meio-campista atue mais próximo da área e assuma novas responsabilidades na construção das jogadas.
A baixa de Vitor Roque retira da equipe um atacante capaz de atacar a profundidade, pressionar a saída adversária e movimentar os zagueiros. São características que não podem ser reproduzidas automaticamente por outro jogador. Por isso, Abel Ferreira precisa avaliar como o Palestra poderá continuar criando espaços para Flaco López e mantendo presença ofensiva diante de uma defesa que terá o apoio da torcida no Maracanã.
Uma das alternativas passa pela entrada de Ramón Sosa, preservando uma dupla de ataque com Flaco López e mantendo Jhon Arias em uma função mais habitual. Esse caminho oferece uma substituição mais direta no setor ofensivo, embora as características do paraguaio sejam diferentes das de Vitor Roque. A outra possibilidade, e mais provável, se levarmos em conta os treinos preparatórios, envolve a entrada de Marlon Freitas no meio-campo, com Arias formando a dupla de ataque ao lado do argentino.
Nesta segunda configuração que a discussão sobre Andreas ganha outra dimensão: com mais um jogador no setor central, o Verdão pode distribuir melhor as responsabilidades de construção e oferecer ao camisa 8 condições para avançar. A possível mudança de função de Andreas é o ponto que merece maior atenção. Em vez de participar predominantemente da circulação e da ligação entre os setores, o meio-campista pode encontrar mais oportunidades para receber a bola em zonas adiantadas, aproximar-se de Flaco e acionar os jogadores que atacam os espaços pelos lados.
Não significa transformá-lo em um atacante, tampouco abandonar suas obrigações na construção. Trata-se de ajustar a altura em que ele participa das jogadas para que sua capacidade de passe e leitura ofensiva seja aproveitada em regiões nas quais uma decisão pode colocar o companheiro em condições de finalizar. Essa possibilidade não surge do nada. Na partida contra o Bahia, o Palmeiras utilizou uma estrutura com três zagueiros e três jogadores no meio-campo, com Andreas em uma posição mais avançada pelo lado direito, enquanto Marlon Freitas e Lucas Evangelista ajudavam a sustentar o setor.
A importância o trio da meia-cancha do Palmeiras
A referência interessa porque mostra como a equipe pode distribuir funções sem necessariamente abandonar a estrutura defensiva. Contra o Fluminense, a presença de Marlon novamente poderia oferecer uma base para Andreas se aproximar do ataque. A questão é saber se o desenho será capaz de preservar a conexão entre os setores diante de um adversário que tentará aproveitar qualquer espaço deixado na saída de bola.
Nesse ponto, Marlon Freitas e Lucas Evangelista entram como peças fundamentais da análise. A liberdade de Andreas precisa ter contrapartidas: quando ele avançar, alguém deverá oferecer uma linha de passe por trás da jogada e proteger a região central em caso de perda da posse. Marlon pode contribuir para essa sustentação, enquanto Evangelista tem condições de participar da circulação e ajudar na ocupação dos espaços.

Mas a simples presença de três meio-campistas não garante equilíbrio. Se os movimentos forem redundantes, o Palmeiras poderá acumular jogadores na mesma faixa do campo; se houver coordenação, poderá criar superioridade no setor e dificultar a pressão do Fluminense. A reorganização também muda a responsabilidade de Flaco López. Sem Vitor Roque, o argentino pode encontrar Arias mais perto para tabelas, combinações curtas e movimentos complementares.
Arias é fundamental na engrenagem palestrina
O colombiano tem mobilidade para circular pelos lados e pelo centro, oferecendo uma referência diferente daquela de um atacante que busca constantemente atacar as costas da defesa. Essa aproximação pode ajudar Flaco a não ficar isolado entre os zagueiros, mas há um risco: se os dois se aproximarem demais da bola, o Verdaço poderá perder profundidade e permitir que o adversário avance sua linha defensiva. A equipe precisará alternar aproximações e movimentos de ruptura, em vez de concentrar todos os jogadores no mesmo espaço.
Arias, portanto, não deve ser observado apenas como o substituto de Vitor Roque. Sua movimentação pode ser parte da solução para manter o ataque vivo enquanto Andreas assume uma posição mais adiantada. Ao mesmo tempo, o Palmeiras terá de evitar que essa liberdade retire referências da área. A ausência do camisa 9 exige coordenação entre os movimentos de Flaco, Arias e Andreas: um aproxima, outro ataca o espaço e o terceiro precisa estar em condições de dar continuidade à jogada.
Há, ainda, um componente defensivo que não pode ser negligenciado. O Fluminense poderá tentar acelerar suas ações quando recuperar a bola, especialmente se encontrar Andreas e os demais meio-campistas adiantados. Nesse cenário, a cobertura de Marlon e Evangelista, o posicionamento dos alas e a capacidade dos zagueiros de defender grandes espaços serão determinantes. A linha de três defensores oferece uma base para essa organização, mas não elimina o risco das transições. Quanto mais liberdade Andreas receber, mais importante será definir quem protege a equipe atrás da bola. A ideia não é limitar o meio-campista, e sim criar as condições para que seu avanço não se transforme em vulnerabilidade coletiva.
Em busca do equilíbrio no teste posto ao Verdão
A decisão ganha peso adicional porque o Verdão disputa fora de casa o primeiro jogo de um confronto que será definido no Nubank Parque, na semana seguinte. A equipe precisa encontrar uma configuração capaz de competir no Maracanã sem perder sua identidade ofensiva, mas também sem transformar a busca por um gol em exposição desnecessária. Reforçar o meio-campo pode ajudar a controlar as disputas centrais e aproximar Andreas da área; apostar em Sosa pode preservar uma referência mais direta no ataque. Nenhum caminho resolve todos os problemas. A escolha depende de como a comissão técnica pretende equilibrar intensidade, profundidade e proteção defensiva diante das características do adversário.
A ausência de Vitor Roque abre uma discussão importante sobre o funcionamento do Palmeiras. O desafio de Abel Ferreira é redistribuir funções sem perder a capacidade de ameaçar a defesa adversária. Andreas Pereira pode ser um dos principais beneficiados por essa reorganização, desde que sua liberdade venha acompanhada de cobertura e de movimentos complementares à sua frente. Se o Verdaço conseguir aproximar o meio-campista de Flaco López sem abrir mão da profundidade e do equilíbrio, a mudança poderá ir além de uma solução emergencial para a semifinal: será uma alternativa de organização ofensiva construída a partir das características do próprio elenco.