Palmeiras já tem as respostas, mas precisa encaixar a estratégia certa no ‘molde’ de seu elenco
Mesmo vivo em três frentes, o Verdão viu sua produtividade despencar após a Copa do Mundo e precisa corrigir a engrenagem no momento mais decisivo do ano O momento do Palmeiras exige uma leitura mais cuidadosa do que sim...
O momento do Palmeiras exige uma leitura mais cuidadosa do que simplesmente apontar a perda da liderança para o Flamengo ou transformar cada escolha de Abel Ferreira em sinônimo de insistência. O time chegou às quartas de final da Libertadores, avançou na Copa do Brasil e segue entre os protagonistas do Brasileirão. Ao mesmo tempo, conquistou apenas 11 pontos desde a retomada do campeonato após a Copa do Mundo e viu seu rendimento ofensivo cair justamente quando a temporada entrou em uma fase de maior exigência. A questão, portanto, é identificar o que precisa ganhar uma nova configuração.
A equipe, antes de tudo, precisa preservar os mecanismos que dão estabilidade à equipe. O sistema com três zagueiros também não pode ser tratado como um problema por si só. A formação oferece liberdade para os alas e permite que o Palmeiras alterne a saída de três com momentos em que os laterais avançam simultaneamente. O que merece atenção é o comportamento no último terço.
Quando os jogadores de lado não conseguem acelerar as jogadas e os meias ficam distantes da área, a superioridade construída atrás não se transforma automaticamente em vantagem na frente. O desenho oferece possibilidades, a questão é como ocupá-las. O jogo contra o Santos mostrou que Abel consegue encontrar soluções quando redistribui funções. Giay ganhou liberdade para atacar pelo corredor, Arias apareceu mais por dentro e Marlon participou da primeira construção.
O resultado foi uma equipe mais agressiva, com 19 finalizações e sete no alvo na vitória por 3 a 0. Esse exemplo é importante porque mostra que o Verdão não depende necessariamente de uma troca radical de formação para mudar sua produção. Às vezes, a diferença está em colocar os mesmos jogadores em zonas diferentes e alterar suas responsabilidades.
De olho no ataque Palestrino
Jhon Arias talvez seja a peça que melhor representa esse leque de possibilidades. O colombiano consegue atuar aberto, atacar espaços interiores e participar da construção próxima à área. Quando fica preso à lateral, oferece amplitude e condução; quando entra por dentro, pode aproximar-se de Flaco e aumentar a quantidade de jogadores capazes de combinar em espaços curtos. Neste caso, o Palestra tem uma ferramenta versátil e precisa encontrar o momento certo para explorar cada característica.
Flaco López, por sua vez, é uma peça que merece ser potencializada, não questionada. Sua presença oferece ao Palmeiras uma referência que poucos jogadores do elenco conseguem reproduzir. O risco aparece quando ele fica isolado entre os zagueiros e o restante do ataque permanece distante. Se Flaco é a referência, a equipe precisa criar aproximações ao seu redor. A segunda bola, nesse caso, deixa de ser consequência e passa a ser parte importante da construção ofensiva.

Vitor Roque representa um desafio diferente. O atacante atravessa uma fase ruim, mas reduzir a questão à pergunta sobre ele ser titular ou reserva seria simplificar demais o problema. Suas principais características aparecem quando existe espaço para atacar, acelerar e chegar à área. Se a equipe o utiliza em zonas congestionadas e exige que faça o papel de pivô durante longos períodos, parte de seu potencial fica comprometida. A recuperação do jogador passa também por encontrar um contexto tático mais favorável.
Felipe Anderson entra em uma discussão semelhante, mas com outra característica. Sua qualidade técnica continua sendo uma alternativa importante, porém o rendimento ofensivo recente está abaixo do que o Palmeiras precisa. Quando atua aberto, a equipe espera dele amplitude, condução e capacidade de superar o marcador. Nesse cenário, Abel pode tanto cobrar uma resposta maior do jogador quanto alterar sua posição e aproximá-lo de zonas em que sua capacidade de associação seja mais útil.
Sem Andreas, o desafio aumenta
Andreas Pereira também precisa encontrar sua melhor faixa de atuação. A qualidade do meio-campista está justamente na capacidade de organizar e acelerar, mas existe uma diferença significativa entre receber próximo aos zagueiros e aparecer entre as linhas adversárias. Quanto mais baixo ele atua, maior é sua participação na saída e menor tende a ser sua influência perto da área. Com a suspensão para o primeiro duelo contra a LDU, Abel terá de reorganizar o setor e pode testar outras combinações. A ausência, nesse sentido, também abre uma oportunidade para modificar a distribuição das funções.
A missão é potencializar o que funciona
A reta decisiva não exige um Palmeiras completamente diferente, mas um time capaz de aproveitar melhor as características que já possui. Gómez, Piquerez, Lucas Evangelista e Flaco oferecem fundamentos que não precisam ser abandonados. Arias pode mudar a dinâmica por dentro ou pelo lado; Giay pode ampliar a presença pelos corredores; Vitor Roque pode ser utilizado para atacar profundidade; e Felipe Anderson pode buscar uma participação diferente no último terço.
O desafio de Abel está menos em trocar nomes e mais em combinar características. A partida contra a LDU será uma oportunidade para descobrir se o Palmeiras consegue transformar esse repertório em soluções concretas quando a margem para erro fica cada vez menor.