FutebolFlash FutebolFlash
Opinião: Palmeiras não é nada confiável, e a responsabilidade é de Abel Ferreira

Opinião: Palmeiras não é nada confiável, e a responsabilidade é de Abel Ferreira

10/08/2026 18:54

Líder isolado do Brasileirão, Alviverde tem o melhor elenco da era Abel Ferreira, mas segue incapaz de transmitir segurança ao torcedor em jogos que exigem imposição e criatividade O Palmeiras continua na liderança isola...

Líder isolado do Brasileirão, Alviverde tem o melhor elenco da era Abel Ferreira, mas segue incapaz de transmitir segurança ao torcedor em jogos que exigem imposição e criatividade

O Palmeiras continua na liderança isolada do Campeonato Brasileiro, mas a posição na tabela não consegue esconder um problema que se tornou cada vez mais evidente: o time de Abel Ferreira não passa confiança.

O empate por 0 a 0 com o Internacional, no último domingo (9), foi mais um capítulo de uma temporada em que o Palmeiras oscila justamente quando tem a oportunidade de abrir vantagem e encaminhar seus objetivos.

Jogando em casa, diante de um adversário que adotou uma postura mais cautelosa, o time alviverde encontrou enormes dificuldades para criar e terminou os 90 minutos sem sequer obrigar Matheus Cunha a fazer uma defesa.

O problema não está no resultado, mas na maneira como o Palmeiras joga

A equipe demonstrou pouca intensidade, não conseguiu exercer uma marcação pressão consistente e teve enorme dificuldade para encontrar espaços diante de uma defesa fechada. É um problema recorrente e que Abel Ferreira, depois de quase seis anos no SEP, já deveria ter solucionado.

Desde que assumiu o Palmeiras, em 2020, o português construiu uma equipe extremamente competitiva, capaz de disputar e conquistar títulos importantes. Mas, neste momento, a cobrança precisa ser diferente. Abel tem em suas mãos, provavelmente, o melhor elenco desde que chegou.

Em 90 minutos, o Palmeiras não conseguiu furar a retranca do Inter, que briga contra o rebaixamento – Foto: Anderson Romao/AGIF

A diretoria fez sua parte. Leila Pereira manteve jogadores importantes, evitou desmontar a equipe e voltou a investir pesado no mercado. O Palmeiras trouxe nomes de peso e, mais recentemente, contratou Jhon Arias por cerca de 25 milhões de euros. Portanto, a justificativa de que faltam peças para determinadas situações de jogo perdeu força.

Se o elenco é mais qualificado, a responsabilidade passa ainda mais para o treinador. E o principal desafio está justamente nos jogos em que o adversário abdica de jogar.

Por ser líder e uma das principais forças do futebol brasileiro, o Palmeiras sabe que encontrará cada vez mais equipes recuadas, com linhas baixas e, muitas vezes, uma formação com cinco defensores. É uma estratégia absolutamente previsível. O adversário fecha os espaços, entrega a posse de bola e tenta explorar o contra-ataque.

É nesse cenário que o Palmeiras precisa apresentar soluções

Triangulações, infiltrações, movimentações para tirar os defensores da zona de conforto, passes verticais, cruzamentos rasteiros e, principalmente, chutes de média e longa distância precisam fazer parte do repertório. Contra o Internacional, entretanto, praticamente nada funcionou.

E não se trata de um episódio isolado. Nos últimos cinco jogos do Palmeiras em casa pelo Brasileirão, a equipe venceu apenas uma vez, contra a Chapecoense. Além disso, empatou com Santos, Cruzeiro e Internacional e perdeu para o Atlético-MG. Ou seja: diante de adversários que, em tese, deveriam representar oportunidades para o líder aumentar sua vantagem, o Palmeiras deixou pontos importantes pelo caminho.

Isso explica por que a liderança, apesar de confortável, ainda não transmite tranquilidade. O Palmeiras tem 48 pontos, seis a mais que o Flamengo, mas parece incapaz de transformar essa vantagem em domínio. Quando o principal concorrente tropeça ou atravessa um momento turbulento, o time de Abel não consegue aproveitar para abrir uma distância ainda maior.

Torcida do Palmeiras lotou o Nubank Parque contra o Inter, mas time fez péssima partida contra Inter – Foto: Alexandre Schneider/Getty Images

O torcedor olha para o Palmeiras e sabe que o time tem qualidade suficiente para ser campeão. Sabe que existem jogadores capazes de decidir partidas. Sabe que o elenco é profundo e que a equipe é favorita nas competições que disputa.

Mas não sabe qual Palmeiras aparecerá no próximo jogo. E isso é um problema sério para um time que pretende conquistar títulos. E tudo piora ao se lembrar do que aconteceu em 2025: o time ‘esfarelou’ na reta final e ficou sem Brasileiro e Libertadores, ambos perdidos para o Flamengo.

Sem desculpas, Abel, o jeito é arrumar soluções dentro de campo

Durante muito tempo, Abel Ferreira teve argumentos para explicar determinadas oscilações: calendário apertado, sequência de jogos, desgaste físico, desfalques e necessidade de preservar jogadores. Só que, neste momento, essas justificativas já não explicam tudo.

Depois de um período de descanso, com um elenco reforçado e mais opções à disposição, o Palmeiras continua apresentando os mesmos problemas contra adversários fechados. Não é mais uma questão de falta de jogadores. É uma questão de funcionamento.

Abel Ferreira chegou ao Palmeiras em 2020 e transformou o clube em uma potência competitiva. Seu trabalho é histórico e não pode ser apagado por uma sequência ruim. Mas justamente por ter elevado o patamar do Palmeiras, o treinador também precisa ser cobrado quando a equipe deixa de apresentar evolução.

Foto: gerada com auxílio de IA pelo Bolavip Brasil

E a cobrança agora é inevitável. O Palmeiras pode terminar a temporada campeão brasileiro, conquistar a Copa do Brasil e até levantar outro grande troféu. A qualidade do elenco permite sonhar alto. Mas, para isso, Abel precisa fazer seu time evoluir.

Porque ter o melhor elenco não basta. É preciso fazer o melhor elenco jogar como tal. E se há ainda carências no elenco, como na lateral direita com Khellven e Giay, a responsabilidade é do português que escolheu-os a dedo.