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Opinião: Paulinho no Palmeiras: aposta corajosa ou erro anunciado desde a contratação?

Opinião: Paulinho no Palmeiras: aposta corajosa ou erro anunciado desde a contratação?

05/08/2026 17:33

Paulinho mostrou qualidade sempre que esteve disponível para jogar. Mas será que isso basta para justificar um investimento tão alto? Desde que Paulinho foi anunciado pelo Palmeiras, uma pergunta nunca saiu da minha cabe...

Paulinho mostrou qualidade sempre que esteve disponível para jogar. Mas será que isso basta para justificar um investimento tão alto?

Desde que Paulinho foi anunciado pelo Palmeiras, uma pergunta nunca saiu da minha cabeça: o clube fez um grande negócio ou comprou um problema anunciado? Hoje, meses depois, essa dúvida continua fazendo sentido. Não porque o atacante tenha deixado de mostrar qualidade, mas porque o debate sempre esteve muito menos relacionado ao seu futebol do que à sua condição física.

O curioso é ver parte da torcida tratar as lesões como uma surpresa. Para mim, elas nunca foram. O Verdão não descobriu agora que Paulinho convivia com problemas físicos. O departamento de futebol conhecia seu histórico, sabia da cirurgia, entendia que haveria um período de recuperação e, ainda assim, decidiu investir pesado. Ou seja, o risco nunca foi oculto. Pelo contrário. Ele foi assumido.

E é justamente por isso que tenho dificuldade em classificar a contratação como um erro. Se alguém compra um carro sabendo que ele exige mais manutenção do que os demais, não faz sentido reclamar da manutenção depois. Com Paulinho, a lógica é parecida. O Palestra não foi vítima das circunstâncias. Fez uma aposta consciente porque enxergou que, saudável, estava diante de um jogador capaz de mudar o patamar técnico da equipe.

É preciso bom senso para avaliar a contratação de Paulinho

Isso significa que o investimento valeu a pena? Aí a resposta já não é tão simples. Futebol não se resume ao talento de um atleta. Disponibilidade também é desempenho. Um jogador que passa longos períodos no departamento médico deixa de contribuir justamente quando o elenco mais precisa. E esse peso precisa entrar na conta de qualquer avaliação séria.

Ao mesmo tempo, também me parece injusto reduzir a passagem de Paulinho apenas aos boletins médicos. Sempre que conseguiu estar em campo em boas condições, mostrou exatamente por que o Palmeiras insistiu em sua contratação. Movimentação, leitura de jogo, agressividade ofensiva e capacidade de decidir continuam presentes. O problema nunca foi a qualidade. Sempre foi a frequência.

Talvez esse seja o maior dilema dessa contratação. O Maior Campeão do Brasil investiu em um jogador que pode decidir campeonatos, mas que exige um controle físico permanente. Em um calendário cada vez mais sufocante, essa equação nem sempre fecha. Afinal, de que adianta contar com um atleta extraordinário se ele não consegue estar disponível na sequência de jogos mais importante da temporada?

Mas, valeu ou não valeu a contratação do camisa 10

Mesmo assim, ainda não consigo dizer que o investimento fracassou. Acho precipitado transformar uma aposta de longo prazo em sentença definitiva. Se Paulinho conseguir estabilizar sua condição física e entregar uma sequência consistente, boa parte das críticas desaparecerá naturalmente. Se isso não acontecer, aí sim o debate sobre custo-benefício ganhará força. Mas uma coisa não muda: a SEP sabia exatamente qual risco estava comprando.

No fim, minha conclusão passa longe dos extremos. Não acho que Paulinho tenha sido um erro de mercado. Também não acredito que a contratação possa ser considerada um sucesso apenas pelo nome que carrega. Para mim, ela continua sendo exatamente o que sempre foi desde o primeiro dia: uma aposta de altíssimo nível técnico, cercada por um risco igualmente alto. E quando um clube decide assumir esse tipo de risco, precisa estar preparado para conviver com as consequências — boas ou ruins.