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Análise: Os bastidores da ascensão de Braian Aguirre no novo Inter de Eduardo Baptista

Análise: Os bastidores da ascensão de Braian Aguirre no novo Inter de Eduardo Baptista

01/10/2026 00:18

Lateral argentino ganha espaço como ala no novo sistema, enquanto Eduardo Baptista busca potencializar Vitinho. O novo Inter de Eduardo Baptista começa a apresentar algumas diferenças importantes em relação ao time que v...

Lateral argentino ganha espaço como ala no novo sistema, enquanto Eduardo Baptista busca potencializar Vitinho.

O novo Inter de Eduardo Baptista começa a apresentar algumas diferenças importantes em relação ao time que vinha sendo utilizado por Paulo Pezzolano. Uma delas está justamente no setor direito, onde Braian Aguirre aparece como uma das principais novidades trabalhadas pelo treinador durante a pausa para a Data Fifa. A ideia é utilizar o argentino como ala em uma estrutura com três zagueiros.

Nos primeiros trabalhos, Bruno Gomes aparece na linha defensiva, enquanto Aguirre ganha liberdade para avançar pelo corredor. A escolha não é apenas uma questão de característica. Conforme a apuração de Zero Hora, Eduardo Baptista entende que o argentino apresenta atributos ofensivos mais interessantes para atuar pelo lado, principalmente pela capacidade de lançamento e pela possibilidade de chegar à área para finalizar.

Bruno Gomes, por outro lado, oferece características que combinam mais com uma função defensiva. O jogador é considerado mais forte nas disputas de bola e no jogo aéreo, além de apresentar maior precisão no passe para ajudar na saída de bola. Por isso, Eduardo Baptista encontrou uma maneira de manter os dois no mesmo setor, mas com responsabilidades diferentes.

Na prática, Bruno Gomes passa a funcionar como um terceiro zagueiro pela direita, enquanto Braian Aguirre ganha liberdade para atacar. É uma mudança que pode beneficiar o argentino, principalmente porque ele deixa de ter a mesma obrigação de proteger constantemente o corredor e passa a receber mais espaço para explorar sua capacidade ofensiva.

A mudança também abre espaço para Vitinho

Essa alteração também provoca uma consequência importante no setor ofensivo. Vitinho deixa de ocupar o corredor direito e volta a atuar mais por dentro, aproximando-se de Alan Patrick e do centroavante Alerrandro. Na teoria, é uma mudança que pode potencializar o jogador, permitindo que ele receba a bola em zonas mais próximas da área e participe mais das jogadas de criação.

A principal dúvida, neste momento, está justamente em como Eduardo Baptista vai encaixar Alan Patrick nesse sistema. Uma das possibilidades é colocar o camisa 10 pelo lado esquerdo, mas com liberdade para atuar por dentro. Nesse cenário, Carbonero poderia começar a partida no banco de reservas.

Não necessariamente isso significa perder uma peça importante. Pelo contrário: Carbonero pode se transformar em uma alternativa de velocidade para o segundo tempo, principalmente quando o adversário estiver mais desgastado. A entrada do colombiano poderia aumentar a intensidade do ataque e oferecer uma característica diferente daquela apresentada por Alan Patrick.

Com Alan Patrick e Vitinho atuando mais próximos do centro, Eduardo Baptista também pode buscar uma presença maior de jogadores próximos de Alerrandro. Esse parece ser um dos pontos centrais da ideia do treinador: aumentar o número de atletas dentro da área e criar mais situações para o centroavante participar das jogadas.

A dúvida está no lado esquerdo

Se o setor direito começa a apresentar uma lógica mais clara, o lado esquerdo ainda gera algumas dúvidas. Bernabei aparece como o ala pela esquerda, mas existe uma preocupação importante sobre sua capacidade de atuar praticamente sozinho na proteção daquele corredor quando o time perder a bola.

Esse é, para mim, um dos principais pontos de insegurança desse novo desenho. Quando Aguirre avançar pela direita, Bruno Gomes terá uma cobertura mais natural por estar dentro da linha de três. Do outro lado, será preciso entender como Eduardo Baptista pretende proteger Bernabei para evitar que o Inter fique exposto nas transições.

Por isso, o equilíbrio entre os dois lados será determinante. A ideia ofensiva faz sentido ao colocar Aguirre mais avançado, Vitinho por dentro e eventualmente Alan Patrick partindo da esquerda, mas o sistema precisará de compensações muito bem executadas para não transformar a estrutura em um time vulnerável defensivamente.

A reprodução inicial do novo Inter mostra, portanto, que Eduardo Baptista não está apenas mudando o esquema. O treinador tenta distribuir as características dos jogadores de acordo com aquilo que entende que cada um pode oferecer melhor. Braian Aguirre ganha protagonismo ofensivo, Bruno Gomes protege o setor, Vitinho volta para dentro e Alan Patrick passa a ser uma peça ainda mais importante para definir o funcionamento do ataque.