Opinião: Corinthians precisa vender para sobreviver, mas corre o risco de enfraquecer o próprio time
Clube precisa fazer caixa, mas transfer ban impede reposições e pode transformar saída de jogador em problema para o elenco O Corinthians entra na reta final da janela com uma meta clara: arrecadar cerca de R$ 151 milhõe...
O Corinthians entra na reta final da janela com uma meta clara: arrecadar cerca de R$ 151 milhões com a venda de jogadores em 2026. O problema é que o clube precisa fazer caixa justamente em um momento no qual cada saída pode custar caro dentro de campo.
Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França fecham o mercado em 1º de setembro. O tempo é curto, e a pressão aumenta porque o Timão convive com três transfer bans, que impedem o registro de novos atletas.
Na prática, o clube vive uma contradição difícil de ignorar: precisa vender para aliviar as contas, mas não pode contratar para repor. E, na minha visão, é aí que está o maior risco dessa janela.
Vender é necessário, mas vender qualquer um pode custar caro
Marcelo Paz já admitiu que o Corinthians terá de negociar jogadores e citou sondagens reais. Yuri Alberto é um dos principais candidatos, enquanto Hugo Souza, Matheuzinho, André Luiz e Breno Bidon também despertam interesse.
André Luiz, inclusive, recebeu proposta do Nottingham Forest, enquanto a Juventus chegou a demonstrar interesse no jogador. O meio-campista, porém, está se recuperando de uma lesão muscular, assim como Yuri Alberto.
O clube também recusou uma oferta do Argentinos Juniors por Pedro Milans. Foram US$ 1,1 milhão, cerca de R$ 5,6 milhões, por um empréstimo com obrigação de compra.
E talvez essa recusa mostre o caminho que o Corinthians precisa seguir: não vender simplesmente por vender. Se a saída for inevitável, o valor e o impacto esportivo precisam entrar na mesma conta.
Afinal, alcançar os R$ 151 milhões é importante, mas não adianta melhorar o caixa e, ao mesmo tempo, desmontar um elenco que não poderá ser recomposto.
O transfer ban transforma cada negociação em uma decisão ainda mais delicada. O Corinthians precisa fazer dinheiro, mas precisa escolher muito bem de onde esse dinheiro virá.
O relógio está correndo
Os mercados de Holanda, Catar, Turquia, Ucrânia, Rússia, Portugal e Oriente Médio ainda ficam abertos por mais alguns dias, dando alternativas ao clube.
Mas a sensação é de que o Corinthians não pode mais tratar essa janela apenas como uma oportunidade de mercado. É uma operação de equilíbrio: vender o suficiente para respirar, sem tirar do time aquilo que depois fará falta.