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Grêmio perde o jeito Copero, cai para o Bolívar e amplia crise na Arena

Grêmio perde o jeito Copero, cai para o Bolívar e amplia crise na Arena

31/07/2026 14:06

O Grêmio perdeu para o Bolívar e chegou à quinta eliminação consecutiva em torneios da Conmebol. Mais do que a queda, preocupa a perda da identidade copeira que sempre marcou o clube. Quinta eliminação seguida em torneio...

O Grêmio perdeu para o Bolívar e chegou à quinta eliminação consecutiva em torneios da Conmebol. Mais do que a queda, preocupa a perda da identidade copeira que sempre marcou o clube.

Quinta eliminação seguida em torneios da Conmebol mostra um Grêmio cada vez menos agressivo e distante da identidade que marcou sua história

O Grêmio perdeu mais do que uma vaga nas oitavas de final da Copa Sul-Americana. Ao ser derrotado por 1 a 0 pelo Bolívar na Arena, o Tricolor perdeu mais um pedaço da identidade que durante décadas fez dele um dos times mais temidos do continente em mata-matas. O problema não é ser eliminado. Perder faz parte do futebol. O problema é a maneira como o Grêmio tem perdido.

Por onde anda o Grêmio Copero? Essa é a pergunta que fica depois de mais uma queda. Um time que historicamente fazia o adversário sentir o peso de jogar contra o Tricolor hoje parece incapaz de impor esse mesmo respeito. Falta agressividade, intensidade, pressão e, principalmente, aquela sensação de que o Grêmio vai transformar qualquer jogo eliminatório em uma batalha.

E isso não é uma impressão baseada apenas na eliminação desta quinta-feira. São cinco eliminações consecutivas em competições da Conmebol: Independiente del Valle e LDU, em 2021, Fluminense e Alianza Lima, em 2025, e agora o Bolívar, em 2026. Em todos esses confrontos, o Grêmio ficou pelo caminho sem conseguir recuperar a imagem de equipe copeira que marcou sua história recente.

Ser eliminado por Fluminense, River Plate, Independiente del Valle ou qualquer outro adversário faz parte da competição. O ponto é outro. O Grêmio precisa voltar a ser um time que incomoda. Que aperta. Que disputa cada bola como se fosse a última. Que faz o rival entender, desde o primeiro minuto, que não terá vida fácil.

Hoje, não é isso que acontece.

A Arena deixou de pesar

O Bolívar escreveu uma página inédita na história do Grêmio dentro de casa. Pela primeira vez, o Tricolor perdeu como mandante para um clube boliviano. Até então, o Grêmio tinha 100% de aproveitamento como mandante diante de equipes da Bolívia. A derrota desta quinta-feira encerrou uma marca histórica e reforça o tamanho do golpe sofrido pelo time justamente onde deveria ser mais forte.

E existe algo ainda mais incômodo quando olhamos para a Arena. O estádio, inaugurado em 8 de dezembro de 2012, chegou à décima eliminação do Grêmio em mata-matas. Dez vezes em que o torcedor saiu de casa vendo uma competição terminar diante de seus próprios olhos.

Algumas dessas eliminações aconteceram contra adversários de peso, como San Lorenzo e River Plate. Outras, porém, machucam justamente pelo contexto. Juventude, CSA, Alianza Lima e agora Bolívar estão entre os times que conseguiram eliminar o Grêmio dentro da sua própria casa.

A Arena deveria ser um fator de pressão. Deveria ser o lugar em que o Grêmio encontrasse forças quando tudo estivesse contra ele. Nos últimos anos, entretanto, o cenário foi invertido. O adversário chega, sobrevive à pressão inicial, quando ela existe, e percebe que pode jogar.

Foi exatamente o que aconteceu diante do Bolívar. O Grêmio precisava reverter uma derrota por 3 a 2 sofrida em La Paz e tinha mais de 25 mil torcedores na Arena ao seu lado. O time teve momentos de domínio e criou oportunidades, mas não conseguiu transformar superioridade territorial em gol. O Bolívar marcou, resistiu e saiu de Porto Alegre classificado.

Os números aumentam a preocupação

A sequência recente também ajuda a entender por que a eliminação não pode ser analisada como um episódio isolado. O Grêmio não vence desde 23 de maio. É verdade que foram apenas seis partidas nesse intervalo, um número pequeno para sustentar qualquer conclusão definitiva. Mas os resultados estão aí: Montevideo City Torque, Corinthians, Mirassol, Bolívar em duas oportunidades e Fluminense. Nenhuma vitória!

E quatro desses seis jogos aconteceram na Arena. Em casa, onde historicamente o Grêmio deveria encontrar sua força, vieram duas derrotas. Uma delas, justamente contra o Bolívar, custou a continuidade na Sul-Americana.

Os números de Luís Castro também não ajudam a aliviar a pressão. Sem contar Gauchão e amistosos, são 30 partidas, com 10 vitórias, nove empates e 11 derrotas. O aproveitamento é de apenas 43,3%, enquanto o Grêmio aparece dentro do Z-4 do Brasileirão e já está eliminado da Sul-Americana.

É claro que identidade não se recupera apenas com números. Mas números ajudam a mostrar que o problema não está restrito a uma noite ruim.

É preciso voltar a jogar como Grêmio

O Grêmio precisa voltar a entender o que significa jogar uma competição de mata-mata. Precisa recuperar a capacidade de pressionar, competir e transformar a Arena em um ambiente desconfortável para quem vem de fora. Não basta vestir a camisa e lembrar que o clube é copeiro. É preciso jogar como um time copeiro.

Porque o Grêmio Copero não desapareceu da história. Ele continua lá, nas grandes noites, nas viradas improváveis, nas classificações dramáticas e nas conquistas que construíram a identidade do clube.

O que desapareceu foi a sensação de que aquele Grêmio ainda está em campo.

E talvez essa seja a parte mais preocupante de todas.

A resposta terá de vir contra o Mirassol

E o Grêmio já terá uma nova oportunidade de mostrar se ainda existe algum resquício do time Copero. No próximo domingo (2), às 18h, o Tricolor encara o Mirassol, em São Paulo, pela ida das oitavas de final da Copa do Brasil. A decisão, novamente em uma competição de mata-mata e novamente na Arena, será na quarta-feira (5), às 19h30.

Mais uma vez, o Grêmio terá pela frente um adversário de pouca expressão no cenário nacional e sul-americano e a obrigação de fazer valer o peso da sua camisa e do seu estádio. Depois da queda para o Bolívar, a cobrança é simples: que o Grêmio faça a Arena voltar a pesar.

Números do momento

Eliminações do Grêmio dentro da Arena (2012-2026):

  • 2013 – Athletico-PR
  • 2014 – San Lorenzo
  • 2015 – Fluminense
  • 2016 – Juventude
  • 2018 – River Plate
  • 2021 – Independiente del Valle
  • 2021 – LDU
  • 2025 – CSA
  • 2025 – Alianza Lima
  • 2026 – Bolívar

Grêmio com Luís Castro (sem Gauchão e amistosos):

  • 30 jogos
  • 10 vitórias
  • 9 empates
  • 11 derrotas
  • 37 gols marcados
  • 33 gols sofridos
  • 43,3% de aproveitamento
  • Dentro do Z-4 do Brasileirão
  • Eliminado da Sul-Americana

Últimos mata-matas do Grêmio em torneios Conmebol:

  • 2021 – Independiente del Valle (Libertadores)
  • 2021 – LDU (Sul-Americana)
  • 2025 – Fluminense (Libertadores)
  • 2025 – Alianza Lima (Sul-Americana)
  • 2026 – Bolívar (Sul-Americana)

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