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Opinião: os 14 estrangeiros mostram um desafio que o Grêmio precisa administrar com inteligência

Opinião: os 14 estrangeiros mostram um desafio que o Grêmio precisa administrar com inteligência

23/09/2026 17:01

O Grêmio tem 14 estrangeiros com vínculo e já enfrenta consequências do limite da CBF. Nardoni ficou fora contra o Palmeiras. O Grêmio tem 14 estrangeiros com vínculo, mas apenas nove podem ser relacionados por partida n...

O Grêmio tem 14 estrangeiros com vínculo e já enfrenta consequências do limite da CBF. Nardoni ficou fora contra o Palmeiras.

O Grêmio tem 14 estrangeiros com vínculo, mas apenas nove podem ser relacionados por partida nas competições da CBF.

O Grêmio montou um elenco com uma presença estrangeira muito forte em 2026. São 14 jogadores de outros países que possuem vínculo com o clube, entre atletas do grupo principal e nomes atualmente emprestados. A quantidade, por si só, não é um problema. O ponto central está em como o Tricolor vai administrar esse patrimônio esportivo diante de uma regra que já começou a interferir diretamente nas escolhas.

A consequência mais recente apareceu contra o Palmeiras. **Juan Nardoni ficou fora da relação justamente por causa do limite de estrangeiros**, em uma partida na qual o Grêmio precisou escolher nove nomes entre os jogadores disponíveis. O argentino, que tem contrato até o fim de 2029, acabou sendo uma das vítimas práticas de uma regra que ainda permite dez estrangeiros vinculados ao elenco principal, mas limita a presença em cada partida.

O problema não é ter estrangeiros, mas escolher quem fica fora

Hoje, os dez estrangeiros que estão no elenco principal são Pavon, Amuzu, Balbuena, Braithwaite, Jovane Cabral, Noriega, Krovinovic, Enamorado, Villasanti e Nardoni. Os vínculos mostram que o clube não está diante de um problema passageiro: há contratos que chegam até 2029, como os de Villasanti e Nardoni, além de outros acordos longos com Noriega, Krovinovic e Enamorado.

Fora do elenco principal, o Grêmio ainda possui quatro jogadores estrangeiros emprestados: Cristian Olivera, Aravena, Monsalve e Léo Pérez. Eles continuam pertencendo ao Tricolor e têm vínculos que chegam, respectivamente, até 2027, 2028, 2028 e 2029. Ou seja, **o número de estrangeiros não desaparece quando o jogador é emprestado**. Ele apenas deixa temporariamente de ocupar uma vaga esportiva no grupo que Renato administra.

É justamente aí que começa uma discussão importante para o Grêmio. Se todos os estrangeiros atualmente emprestados retornassem, o clube voltaria a ter um elenco ainda mais congestionado nessa questão. E a situação tende a ficar mais complexa porque a CBF aprovou uma redução gradual do limite: serão oito estrangeiros por partida em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030.

Renato, portanto, terá de administrar não apenas quem começa jogando, mas também quem pode ficar fora até mesmo do banco. Com dez estrangeiros no elenco principal, **pelo menos um precisa ser cortado em cada partida das competições da CBF**, caso todos estejam disponíveis e sejam considerados para a relação. A escolha pode mudar de jogo para jogo conforme adversário, posição, momento técnico, lesões e necessidade tática.

E aqui está um ponto que merece atenção: não significa que o Grêmio tenha dez jogadores estrangeiros com a mesma importância. Há titulares consolidados, atletas de rotação, jogadores que perderam espaço e nomes que podem ganhar protagonismo. A administração precisa ser esportiva, e não simplesmente matemática. Cortar um jogador importante apenas porque existe uma contagem a cumprir seria tão ruim quanto manter alguém relacionado apenas pelo nome.

Os contratos longos aumentam a responsabilidade do clube

A situação de Nardoni é um exemplo interessante. O volante argentino possui contrato até dezembro de 2029 e chegou ao clube como um investimento relevante. Mesmo assim, já ficou fora de uma partida por causa da regra. **Isso mostra que contrato longo não significa presença garantida na súmula**. O planejamento precisa considerar a utilização real de cada atleta dentro das limitações existentes.

Villasanti também representa um caso diferente. O paraguaio tem vínculo até 2029 e é um jogador de peso no elenco. Noriega, por sua vez, tem contrato até 2028 e ganhou espaço importante na equipe. Krovinovic chegou recentemente com contrato até 2028. Enamorado também está vinculado até 2028. São jogadores que, pelo prazo contratual e pelo papel que podem desempenhar, não podem ser tratados como simples peças descartáveis para resolver uma questão burocrática.

Por outro lado, existem situações mais abertas. Pavon e Amuzu têm contratos somente até dezembro de 2026, e o Grêmio conversa pela renovação de ambos. Segundo a apuração publicada pela GZH, a tendência naquele momento era de que Amuzu deixasse o clube ao final da temporada. Isso pode naturalmente reduzir parte da pressão sobre a montagem do elenco para 2027.

A questão também precisa ser analisada sob a ótica do investimento feito pelo clube. Monsalve, Aravena, Olivera e Léo Pérez continuam ligados ao Grêmio e podem retornar de empréstimo. Ao mesmo tempo, a nova regra cria um cenário no qual simplesmente trazer de volta todos esses jogadores pode aumentar a dificuldade para oferecer minutos e até espaço na relação de cada partida.

O Grêmio, na minha visão, precisa transformar essa dificuldade em planejamento. **Não é necessário demonizar os estrangeiros para valorizar a base brasileira**, assim como não faz sentido contratar ou manter jogadores de fora apenas para aumentar o número de opções. O critério precisa ser rendimento, encaixe, custo, idade, potencial de valorização e importância para o projeto esportivo.

O histórico recente mostra que o clube já começou a utilizar empréstimos como ferramenta para administrar esse excesso. Léo Pérez foi cedido ao Racing por um ano, com opção de compra, em uma negociação que também envolveu o abatimento de parte da dívida relacionada à contratação de Nardoni. A movimentação ajudou a liberar espaço imediato no elenco e, ao mesmo tempo, manteve uma alternativa econômica para o futuro.

Agora, o desafio é maior porque a regra vai apertar progressivamente. O Grêmio não pode esperar 2029 ou 2030 para começar a pensar nisso. **A redução de nove para oito, depois sete, seis e finalmente cinco estrangeiros exige planejamento antecipado**, especialmente porque vários contratos atuais ultrapassam uma temporada.

Kannemann, por sua vez, não entra nessa conta. O zagueiro argentino possui cidadania brasileira e, portanto, não é considerado estrangeiro para efeito da regra. É uma diferença importante porque, quando se fala em 14 jogadores com vínculo, não se deve acrescentar Kannemann novamente à contagem dos estrangeiros atuais.

No fim das contas, o Grêmio não precisa olhar para os 14 estrangeiros como um problema. Precisa olhar para eles como **um ativo que exige gestão inteligente**. O limite já atingiu Nardoni contra o Palmeiras e poderá atingir outros jogadores daqui para frente. Cabe ao clube decidir quem realmente faz parte do projeto, quem precisa de empréstimo, quem pode sair e quem merece continuidade.

Para Renato, a missão será escolher os nove melhores e mais adequados a cada partida. Para a direção, será ainda mais importante: construir um elenco que faça sentido diante de uma regra que ficará cada vez mais restritiva. E, para o Grêmio, a grande pergunta é simples: **quantos desses estrangeiros estarão realmente no projeto quando o limite chegar a cinco?**