Luís Castro reclama de desrespeito, mas parece esquecer o motivo da cobrança no Grêmio
Luís Castro voltou a reclamar das críticas após a derrota para o Bragantino, mas a cobrança sobre o treinador vem de um problema mais antigo: a falta de evolução consistente do Grêmio. Técnico do Grêmio criticou o tom da...
Técnico do Grêmio criticou o tom das cobranças após nova derrota, mas o problema não é a crítica: é um trabalho que há meses não apresenta evolução.
Depois da derrota para o Bragantino, Luís Castro voltou a falar sobre as críticas que recebe. O treinador afirmou que existe uma diferença entre criticar o trabalho e ofender as pessoas, pediu mais respeito e chegou a citar uma declaração recente de Abel Ferreira sobre o ambiente do futebol. E, neste ponto, é preciso fazer uma separação muito clara: ofensa pessoal não é aceitável. Mas transformar toda cobrança dura em falta de respeito também me parece um exagero.
A cobrança não nasceu ontem
O grande problema é que a insatisfação com Luís Castro não surgiu depois de uma derrota isolada em Bragança Paulista. Ela é consequência de um trabalho que já dura meses e que, até hoje, não conseguiu apresentar uma evolução consistente dentro de campo. O Grêmio venceu jogos recentes, é verdade. Mas, em vários deles, venceu muito mais pela entrega, pela vontade e pela capacidade individual de alguns jogadores do que por apresentar um futebol organizado e convincente.
E essa é a minha principal divergência com o treinador. A crítica não é porque Luís Castro perdeu um jogo. A crítica é porque o Grêmio continua perdendo da mesma maneira, sofrendo dos mesmos problemas e repetindo os mesmos erros. Contra o Bragantino, mais uma vez vimos uma equipe com dificuldades para construir, aproximar jogadores, trocar passes e criar jogadas que não terminem em uma bola rifada ou em um cruzamento desesperado para dentro da área.
O próprio treinador assumiu a responsabilidade pela derrota e reconheceu que o início da partida foi muito ruim, embora tenha entendido que o Grêmio evoluiu no decorrer do jogo e merecia outro resultado. Mas é justamente aí que está uma das maiores preocupações: quantas vezes já ouvimos que o time reagiu, melhorou, ganhou confiança ou mostrou sinais positivos, sem que isso se transforme em uma evolução real no jogo seguinte?
Luís Castro está confundindo crítica com perseguição
Na minha visão, quando Luís Castro fala em desrespeito de maneira tão ampla, acaba passando uma impressão de vitimização. E não vejo necessidade disso. Ninguém precisa atacar a pessoa, a família ou a história profissional de Luís Castro. Mas o treinador do Grêmio precisa aceitar que um clube desse tamanho cobra resultado, desempenho e, principalmente, evolução.
O torcedor está cansado. E está cansado porque olha para o campo e não consegue enxergar claramente para onde esse time está indo. O Grêmio continua preso a uma ideia que não funciona. Luís Castro insiste nos extremos, mesmo quando a equipe não demonstra equilíbrio para sustentar esse modelo. Fala que já utilizou diferentes formações no meio-campo, mas, na prática, raramente vimos o treinador testar de verdade uma estrutura com dois meias próximos, participando juntos da criação, sem simplesmente deslocar um deles para o lado.
E aí voltamos ao ponto principal: a crítica existe porque o trabalho precisa ser criticado. O Grêmio passou por uma semana de preparação e voltou a apresentar problemas conhecidos. A equipe teve enormes dificuldades contra o Bragantino e sofreu uma pressão que poderia ter terminado com um placar ainda mais pesado. Isso não é perseguição. Isso é análise do que aconteceu em campo.
O problema não é a crítica; é a falta de resposta
Luís Castro tem todo o direito de pedir respeito. Eu concordo com isso. Ofensa não melhora o futebol de ninguém. Fake news também precisam ser combatidas, como o próprio treinador já havia destacado anteriormente. Mas respeito não pode significar silêncio. O treinador precisa entender que, quanto maior o clube, maior será a cobrança. E o Grêmio não pode normalizar um trabalho que, depois de tantos meses, ainda deixa mais dúvidas do que certezas.
Agora vem um Gre-Nal pela Copa do Brasil. E talvez seja justamente aí que Luís Castro tenha a melhor oportunidade de responder dentro de campo. Não com discurso, não pedindo compreensão e nem reclamando da cobrança. A resposta que o torcedor quer é um Grêmio diferente: organizado, competitivo, agressivo e com alguma evolução visível. Porque, até aqui, a grande verdade é que a cobrança não parece ser exagerada. Exagerado é imaginar que, diante de tudo o que o time vem apresentando, o torcedor simplesmente deveria aceitar e esperar que, um dia, a evolução apareça.
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