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No aniversário do Grêmio, celebro a paixão que meus pais me ensinaram a viver

No aniversário do Grêmio, celebro a paixão que meus pais me ensinaram a viver

15/09/2026 12:42

No aniversário do Grêmio, relembro como meus pais, meu tio-avô e meu filho ajudaram a construir minha história com o Tricolor. Minha história com o Grêmio começou antes mesmo de eu entender futebol, pelas mãos de dois pa...

No aniversário do Grêmio, relembro como meus pais, meu tio-avô e meu filho ajudaram a construir minha história com o Tricolor.

Minha história com o Grêmio começou antes mesmo de eu entender futebol, pelas mãos de dois pais que me ensinaram a amar.

Hoje é aniversário do Grêmio. E, para mim, não existe maneira de falar sobre essa data sem falar da minha própria história. Porque antes de entender o que era futebol, o que era um estádio ou o significado de uma camisa, eu já tinha dentro de casa duas pessoas que me ensinaram a amar o Tricolor. Meu pai e minha mãe eram gremistas fervorosos. E eu simplesmente herdei deles uma paixão que, com o passar dos anos, deixou de ser apenas paixão e passou a fazer parte de quem eu sou.

Em 1983, eu tinha apenas 1 ano de idade.

Mesmo tão pequeno, meus pais me levaram para a festa do título Mundial no Estádio Olímpico. Eu obviamente não tenho como guardar aquela imagem na memória, mas gosto de pensar que ali começou uma história que jamais terminaria. Antes mesmo de eu conseguir escolher o Grêmio, o Grêmio já havia sido escolhido por mim dentro da minha família.

O Grêmio entrou na minha vida antes das palavras

Também tive um tio-avô completamente fanático pelo Grêmio. Ele ia todos os dias à minha casa e, quando estava comigo, praticamente não existia outro assunto. Era Grêmio o tempo inteiro. Ele falava do clube, dos jogadores, dos jogos, das histórias e de tudo aquilo que envolvia o Tricolor. De tanto ouvir, absorver e viver aquele ambiente, fui construindo minha própria relação com o clube.

E essa relação era intensa. Meu humor era afetado pelos resultados do Grêmio. Uma vitória podia transformar meu dia. Uma derrota podia pesar muito mais do que deveria. Talvez quem não tenha vivido o futebol dessa maneira não consiga entender, mas para mim nunca foi simplesmente saber o resultado de uma partida. O Grêmio mexia comigo.

Tive ainda o privilégio de frequentar o Olímpico e, depois, a Arena ao lado do meu pai. Estar com ele nesses lugares talvez seja uma das maiores heranças que o futebol poderia ter me deixado. Não era apenas acompanhar uma partida. Era dividir com meu pai um sentimento, uma rotina e momentos que hoje têm um valor impossível de medir.

Quando meu pai me fez uma promessa que virou missão

Em 2021, essa relação ganhou um capítulo que jamais conseguirei esquecer. Meu pai estava em seu leito de morte e, naquele momento tão doloroso, me fez um pedido: que eu ajudasse o Grêmio a fugir do rebaixamento e que jamais abandonasse o clube.

Aquelas palavras ficaram guardadas em mim. Meu pai estava partindo, mas ainda encontrava espaço para falar do Grêmio comigo. E eu não poderia imaginar uma maneira mais forte de demonstrar o tamanho daquela paixão que nos unia. Depois, quando chegou a hora de enterrá-lo, coloquei sobre ele a bandeira com a qual sempre ia aos jogos na Geral do Grêmio.

Foi como se aquela bandeira carregasse tudo aquilo que ele havia me ensinado. Carregasse as idas ao estádio, as vitórias, as derrotas, as discussões, as comemorações e, principalmente, o amor pelo Grêmio que ele passou para mim.

Por isso, quando penso no jogo mais emblemático da minha vida, não consigo escolher apenas por causa do resultado. O Gre-Nal dos 5 a 0 está eternizado na minha memória porque foi vivido ao lado do meu pai e do meu filho, em um Dia dos Pais. Três gerações reunidas pelo Grêmio em um daqueles dias que o futebol transforma em memória para a vida inteira.

E ainda aconteceu algo que tornou aquela partida absolutamente inesquecível para mim: meu filho entrou em campo com o Luan. Enquanto o Grêmio construía uma goleada histórica, eu estava ali com meu pai e meu filho, vivendo uma cena que dificilmente qualquer torcedor conseguiria planejar. O resultado foi gigantesco, mas a lembrança familiar é ainda maior.

Outro momento que guardo com carinho aconteceu na conquista da Copa do Brasil de 2016. Naquela ocasião, minha eterna mãezinha esteve comigo na comemoração no centro da cidade de Bagé, no Rio Grande do Sul. Mais uma vez, o Grêmio estava presente em um momento importante da minha vida familiar.

Hoje, olhando para tudo isso, percebo que o Grêmio esteve comigo nas diferentes fases da minha vida. Esteve quando eu era criança, esteve ao lado do meu pai, esteve nas conversas com meu tio-avô, esteve nas arquibancadas, esteve nas grandes conquistas e também esteve nos momentos de sofrimento. E, de alguma maneira, esteve sempre ligado às pessoas que mais amo.

Talvez seja por isso que eu não consiga explicar o que é ser gremista apenas falando de títulos. O Grêmio é muito maior do que uma taça. É memória, é família, é herança, é saudade e é uma forma de manter perto quem já não está mais aqui.

Meu pai me ensinou a amar o Grêmio. Minha mãe alimentou essa paixão. Meu tio-avô ajudou a transformar o clube em assunto diário. Depois, eu tive a oportunidade de viver o Grêmio ao lado do meu próprio filho. E assim a história continua, passando de uma geração para outra, como aconteceu comigo.

No aniversário do Grêmio, portanto, quem está comemorando sou eu também. Comemoro o clube que me deu tantas alegrias, que tantas vezes mexeu com meu humor e que me proporcionou algumas das maiores emoções da minha vida. Mas, acima de tudo, comemoro a paixão que meus pais colocaram dentro de mim e que o tempo nunca conseguiu apagar.

Parabéns, Grêmio. Que essa história continue sendo escrita. E que eu possa continuar vivendo, contando e defendendo esse clube, como meu pai me pediu naquele leito de morte: sem jamais abandoná-lo.