PF investiga repasses suspeitos para Geromel e Lucas Leiva em esquema de mineração ilegal
Geromel e Lucas Leiva são citados em investigação da PF sobre repasses ligados a empresários investigados por mineração ilegal. A Polícia Federal abriu investigação sobre transferências financeiras destinadas aos ex-joga...
A Polícia Federal abriu investigação sobre transferências financeiras destinadas aos ex-jogadores gremistas Pedro Geromel e Lucas Leiva, no âmbito das apurações da Operação Disco de Ouro. O inquérito apura a distribuição de recursos procedentes da extração ilegal de cassiterita na Terra Indígena Yanomami, gerenciada por empresários gaúchos indiciados por lavagem de dinheiro e fraudes em exportações minerais.
A Operação Disco de Ouro, conduzida pela Polícia Federal para desarticular a exploração clandestina de minério em reservas indígenas, identificou movimentações atípicas direcionadas aos nomes de dois ídolos recentes do Grêmio. O ex-zagueiro Pedro Geromel e o ex-volante Lucas Leiva constam em relatórios policiais como beneficiários de repasses oriundos da Metalsur Comercial de Aços.
Segundo as investigações, a Metalsur atuava como peça central na engrenagem financeira do esquema para internalizar no Brasil os recursos remetidos do exterior. As transações teriam como origem a MLS Berkovitz Investments, sediada nos Estados Unidos, referente a contratos de venda do minério de estanho para a multinacional suíça Gerald Metals.
No centro do esquema apontado pela corporação estão os irmãos e empresários Diego e Matheus Possebon. A acusação aponta que a dupla articulou operações fraudulentas de exportação de cassiterita avaliadas em cerca de US$ 48 milhões (aproximadamente R$ 246 milhões). Do total de 129 contêineres enviados para destinos na Ásia, 109 continham areia e brita no lugar do mineral negociado.
Estratégia de pulverização financeira
Com base em dados obtidos por meio de acordos de colaboração premiada com operadoras do mercado paralelo do dólar, a PF mapeou o trajeto do capital após a conversão para a moeda nacional. A Metalsur era utilizada para pulverizar as quantias entre 109 contas bancárias pertencentes a pessoas físicas e jurídicas de múltiplos setores.
Entre os destinatários identificados com somas vultosas, sobressaem-se produtoras de eventos, estabelecimentos comerciais, o cantor Alexandre Pires (com R$ 21,2 milhões direcionados) e um ex-motorista do grupo, com R$ 43 milhões movimentados. A perícia ressalta que grande parte dos recebedores não possui histórico ou vínculo operacional com o ramo de comércio de metais.
Detalhes dos valores direcionados aos ex-atletas
No levantamento das transferências, Pedro Geromel aparece com o recebimento de R$ 1 milhão enviado pela empresa sob investigação. Em razão desse montante, a Polícia Federal apresentou solicitação formal à Justiça Federal para o arresto de bens e valores do ex-defensor no mesmo patamar da quantia transferida.
Já Lucas Leiva, que atualmente atua no segmento de agenciamento de futebol, é citado em documentação da PF por um crédito de R$ 125 mil. A transferência teria sido executada por um motorista vinculado a Diego Possebon, sem que houvesse especificação formal da causa do pagamento nos registros analisados.
Diante dos desdobramentos, a Polícia Federal solicitou novamente a prisão preventiva dos irmãos Possebon, negada pela 4ª Vara Federal de Roraima, que optou pelo deferimento de ordens de busca e apreensão e bloqueio de patrimônio. Matheus Possebon, que já havia sido detido temporariamente na primeira fase do processo em 2023, nega irregularidades por meio de seus representantes legais, afirmando atuar exclusivamente no ramo de entretenimento.
A defesa de Diego Possebon sustenta que as transações comerciais seguiram parâmetros normais de mercado com multinacionais do setor e que o empresário segue prestando esclarecimentos voluntários. Por sua vez, a assessoria jurídica de Alexandre Pires reafirma a ausência de qualquer ligação do artista com atividades de garimpo ou mineradoras.
Pedro Geromel e Lucas Leiva foram procurados para prestar esclarecimentos sobre as motivações das transferências recebidas e o relacionamento comercial com os investigados, mas ainda não enviaram manifestação oficial. O espaço permanece aberto para o posicionamento das partes citadas.