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Palmeiras chega à reta decisiva da temporada com um problema que nasce dentro de casa

Palmeiras chega à reta decisiva da temporada com um problema que nasce dentro de casa

05/10/2026 00:47

Verdão precisa recuperar uma força que deixou de ser tão automática justamente na hora decisiva O Palmeiras volta ao Nubank Parque na próxima quinta-feira (8), diante do Bahia, com uma obrigação que vai além dos três pon...

Verdão precisa recuperar uma força que deixou de ser tão automática justamente na hora decisiva

O Palmeiras volta ao Nubank Parque na próxima quinta-feira (8), diante do Bahia, com uma obrigação que vai além dos três pontos. O time de Abel Ferreira precisa reencontrar uma vantagem que, durante boa parte do Campeonato Brasileiro, parecia incorporada ao próprio endereço. O problema é que os números mudaram. O melhor mandante da primeira metade do campeonato perdeu rendimento justamente depois da Copa do Mundo e agora terá duas partidas consecutivas em casa para tentar corrigir a rota.

Até a primeira metade do Brasileirão, o Palmeiras tinha 85% de aproveitamento como mandante. Depois da retomada, porém, foram duas vitórias, um empate e uma derrota em quatro partidas no estádio, percentual de 58,3%. A queda ajuda a explicar por que uma equipe que terminou a primeira parte da competição com 77% de aproveitamento geral agora aparece pressionada na perseguição ao Flamengo.

É aí que Bahia e Corinthians ganham um peso especial. O calendário entregou ao Palmeiras algo raro nesta altura do campeonato: duas partidas seguidas diante da torcida, no mesmo estádio, antes de uma viagem ao Rio de Janeiro para enfrentar o Fluminense pela Libertadores. O porta ge. aponta justamente essa sequência como uma das possibilidades de reação da equipe. Duas vitórias mudariam não apenas a fotografia da tabela, mas também o ambiente antes de uma semifinal continental.

Só que o primeiro capítulo dessa recuperação acontecerá em uma versão diferente do próprio Nubank Parque. Contra o Bahia, o Gol Norte terá restrições por causa da instalação de um palco para um show previamente programado, reduzindo a capacidade da arena em aproximadamente 25% a 30%. O clube informou a limitação na própria venda de ingressos.

Esse detalhe merece ser observado sem exagero. Não faz sentido transformar a estrutura do show em desculpa antecipada para qualquer resultado ruim. Tampouco seria razoável tratar a partida como se nada tivesse mudado. O estádio tem capacidade oficial de 43.713 pessoas para jogos, e a redução altera uma parte importante da experiência de quem joga e de quem recebe. A questão interessante é descobrir quanto dessa atmosfera o Palestra consegue produzir pelo próprio futebol.

Mando precisa voltar a ser vantagem de fato

Aqui está a diferença para uma discussão puramente sobre calendário de shows. Em outro momento, já havia analisado como a agenda de eventos do estádio poderia atravessar o planejamento palmeirense. Agora, porém, o problema é anterior: o Palmeiras precisa voltar a fazer do mando uma vantagem esportiva antes de discutir qualquer efeito externo. É uma diferença sutil, mas decisiva e ajuda a entender por que o mesmo estádio pode ser tratado como ativo em uma semana e como variável de risco em outra.

O adversário também torna a equação mais interessante. Bahia e Corinthians chegam como visitantes que estão abaixo do Palmeiras nesse quesito, segundo levantamento do ge. O Bahia aparece entre os melhores visitantes do campeonato, enquanto o Corinthians ocupa posição bem mais baixa. Portanto, a SEP não encontrará necessariamente dois adversários que dependam do ambiente para competir. Ao contrário: o primeiro deles chega com capacidade comprovada de jogar longe de casa.

Por isso, o desafio de Abel não é simplesmente transformar a arquibancada em combustível. É fazer o time voltar a impor o jogo que costumava tornar o mando tão valioso. Posse, pressão, território, recuperação rápida e capacidade de transformar domínio em gol precisam reaparecer juntos. Se o estádio oferece menos público, a equipe terá de compensar com mais futebol. E essa talvez seja a leitura tática mais interessante da partida.

Há ainda uma segunda variável: a Data Fifa. O Palmeiras foi o clube brasileiro que mais cedeu jogadores às seleções e precisou organizar uma operação especial para trazer seus atletas de volta a tempo do Bahia. Gómez, Sosa e Mauricio têm retorno previsto entre as madrugadas de 5 e 6 de outubro; Arias volta no dia 7, enquanto Flaco López, Giay, Piquerez e Emiliano Martínez também enfrentam deslocamentos internacionais.

Um desafio para o Nubank Parque

O Verdão não precisa apenas ganhar dois jogos em casa. Precisa provar que o Nubank Parque ainda consegue funcionar como um multiplicador de força quando a temporada entra no trecho em que cada detalhe pesa. A casa estará parcialmente modificada, alguns jogadores chegarão no limite da logística e o adversário terá seus próprios argumentos. O futebol, porém, continua sendo a variável que o Alviverde Imponente controla.

A corrida pelo título pode passar por uma constatação incômoda: o Palmeiras perdeu parte da vantagem que havia construído em casa e agora precisa reconstruí-la quando não terá sequer a configuração completa do próprio estádio. Bahia e Corinthians oferecem a oportunidade. O primeiro teste será descobrir se o fator casa ainda está nas arquibancadas ou se, como acontece com os grandes times, precisa voltar a aparecer principalmente dentro do campo.