Diferenças do novo Internacional de Eduardo Baptista para o time de Paulo Pezzolano
Treinador manterá estrutura com três zagueiros, mas prepara mudanças de comportamento, funções individuais e bola parada para a reta final. O torcedor do Internacional verá um time com três zagueiros sob o comando de Edu...
O torcedor do Internacional verá um time com três zagueiros sob o comando de Eduardo Baptista. Essa é uma das certezas dos primeiros trabalhos do novo treinador e também um modelo que ele conhece bem, utilizado recentemente em trabalhos como Criciúma e Novorizontino. Eduardo explicou que a ideia é buscar uma resposta rápida para os dez jogos que restam no Campeonato Brasileiro, sem promover uma ruptura completa com aquilo que já vinha sendo feito.
A principal diferença para o Inter de Paulo Pezzolano, portanto, não estará necessariamente no desenho tático. O modelo pode ser representado em um 3-4-2-1, com três jogadores na defesa, dois alas, dois volantes, dois atletas mais avançados e um centroavante. Quando o adversário tiver a bola, porém, a estrutura pode se transformar em uma linha de cinco, aumentando a proteção da área.
É justamente no comportamento que estão as principais mudanças planejadas por Eduardo Baptista. O treinador entende que a equipe pode manter uma estrutura semelhante à que já vinha sendo utilizada, mas precisa executar melhor determinados movimentos, principalmente na ocupação dos espaços, na saída de bola e nas bolas paradas.

As funções individuais mudam
Uma das características do novo trabalho é não tratar a posição de zagueiro como uma obrigação exclusiva para jogadores que têm essa função de origem. Assim como já acontecia anteriormente, nomes como Bruno Gomes e até Matheus Bahia podem ser utilizados dentro da linha de três.
A escolha tem uma consequência clara: o Inter pode perder um pouco de altura, mas ganha qualidade na construção desde trás. Bruno Gomes, por exemplo, oferece uma saída de bola mais qualificada e pode ajudar a equipe a iniciar as jogadas com maior segurança.
A ideia fica ainda mais clara quando Thiago Maia entra no desenho. O volante pode participar da saída formando uma espécie de linha de três na construção, enquanto Villagra e ele dão sustentação ao meio-campo. Na visão de Eduardo Baptista, essa função é diferente daquela desempenhada por Bruno Henrique, que tende a atuar em uma linha mais avançada quando ocupa esse espaço.
Ou seja, a escolha de Thiago Maia não está relacionada apenas à capacidade de marcação. O objetivo é dar ao Inter uma alternativa para construir a saída de bola com mais jogadores envolvidos e, ao mesmo tempo, permitir que os dois volantes ocupem melhor os espaços quando a equipe avançar.
Um Inter diferente sem abandonar tudo
Por isso, dizer que Eduardo Baptista chega para mudar completamente o Inter seria equivocado. O novo treinador pretende aproveitar parte da estrutura encontrada, mas alterar comportamentos que considera importantes para melhorar o funcionamento da equipe.
A diferença pode estar justamente nos detalhes: quem sai para construir, quem protege, quem ocupa a área, como os alas avançam e como o time reage quando perde a bola. A bola parada também aparece como um dos pontos que Eduardo Baptista pretende trabalhar de maneira mais intensa.
O desenho inicial aponta para Matheus Cunha ou Rochet; Bruno Gomes, Mercado e Maripán ou Juninho; Braian Aguirre, Villagra, Thiago Maia e Bernabei; Vitinho, Alan Patrick e Alerrandro. Ainda existem disputas e avaliações físicas pela frente, mas a estrutura já começa a ficar evidente.
O objetivo de Eduardo Baptista é fazer essas mudanças rapidamente. Restam dez partidas no Brasileirão e o Inter precisa de uma resposta imediata. Por isso, a opção por um sistema que o treinador já conhece, mas com novas funções e comportamentos, pode ser a maneira encontrada para ganhar tempo sem simplesmente começar tudo do zero.
A grande diferença para o torcedor, portanto, talvez não esteja na imagem inicial do time. O Inter continuará podendo aparecer com três zagueiros e cinco jogadores na última linha quando estiver sem a bola. O que Eduardo Baptista pretende mudar é o que cada jogador faz dentro dessa estrutura — e é justamente aí que estará a identidade do novo Colorado.