“A conta vai chegar se fizer a coisa errada”: Renato desabafa sobre elenco e reforços após empate no Gre-Nal 455
Em entrevista coletiva após o empate por 1 a 1 no Gre-Nal 455, na Arena, Renato Portaluppi fez duras críticas ao planejamento de contratações do Grêmio antes de sua chegada, destacou dificuldades com a adaptação de estra...
Técnico cita excesso de estrangeiros, admite ano de sofrimento e projeta luta do Grêmio contra o rebaixamento até a última rodada do Brasileirão.
O Grêmio viveu mais um capítulo tenso em sua caminhada no Campeonato Brasileiro ao empatar por 1 a 1 com o rival no Gre-Nal 455, disputado na Arena. O resultado manteve o Tricolor em situação delicada na tabela de classificação e estendeu a sequência da equipe para seis partidas consecutivas sem vitória na competição.
Depois de sair atrás no placar, o Imortal buscou a igualdade no segundo tempo com gol marcado pelo zagueiro Wallace. Contudo, o ponto somado dentro de casa não foi suficiente para tirar o time da zona de rebaixamento, o que gerou forte desabafo do técnico Renato Portaluppi na entrevista coletiva logo após o apito final.
Sem esconder o incômodo com o momento, Renato fez duras críticas aos critérios utilizados na montagem do elenco e no processo de contratações realizado antes do seu retorno à Gávea e ao comando do grupo. O treinador apontou para o elevado número de jogadores estrangeiros trazidos e a falta de adaptação dessas peças ao futebol nacional.
O desabafo de Renato sobre o planejamento e reforços
Ao avaliar o cenário de bastidores, o técnico alertou para os riscos de indicar contratações sem a devida análise detalhada do perfil dos atletas. Renato destacou que a responsabilidade não pode ser atribuída unicamente a quem comanda a equipe à beira do gramado quando os resultados no campo não aparecem.
“Você vai contratar um jogador, independente da posição, você tem que pegar a ficha desse jogador. Não pode simplesmente trazer aquele estrangeiro e botar ele aqui no grupo. Aí tem que chegar um treinador aqui com a varinha mágica. Não é assim que se trabalha. Aí trazem e não era o jogador certo. Bom, então tem que cobrar de quem trouxe. Não tem o que inventar. Estoura em quem está na beira do campo. É bem simples o futebol, porque eu costumo falar, a conta chega, ela pode demorar um pouco, mas chega. A conta vai chegar se fizer a coisa errada”, desabafou o treinador.
O comandante gremista enfatizou a barreira de comunicação e convivência diária causada pela presença de atletas de diferentes nacionalidades sem a devida ambientação prévia no país, citando a situação de atletas do elenco atual para exemplificar o obstáculo operacional.
“É que você não frequenta o vestiário, você chega aqui, você tem dois, três, um cara falando uma língua, chega no outro canto, três, quatro, falando uma língua, chega no outro canto, quatro, cinco, falando uma língua. Até os caras se entenderem, meu amigo… É que eu acho um erro. Não é porque a CBF liberou X estrangeiros, tem que trazer estrangeiro de tudo que é lado, de qualquer jeito. Traz o estrangeiro, o cara já está adaptado ao futebol brasileiro, é simples trabalhar no futebol. Aí você traz o estrangeiro, ele não é nem culpado, ele chega aqui até se adaptar ao futebol brasileiro, até ele conhecer os companheiros dele, se passaram cinco, seis meses. E aí? Nós temos o Amuzu, por exemplo, aqui. Para você fazer ele entender as coisas… Ele está aqui há quanto tempo? Um ano e meio, um ano. Ele não fala o português, e aí? Tem que estar sempre o intérprete do lado dele. Você acha que é fácil? Chega num país que você não fala a língua para ver se vai se adaptar assim”, criticou.
Defesa da evolução em campo e foco na reta final
Apesar de reconhecer os problemas estruturais enfrentados no dia a dia, Renato discordou das avaliações de que o time não apresentou melhoria de desempenho sob o seu comando. O técnico ponderou que faltam tranquilidade e confiança ao grupo no momento de finalizar as jogadas decisivas devido à pressão da tabela.
“Discordo (que não houve evolução). Eu vi os jogos do Grêmio, o time criava pouco, finalizava pouco, corria pouco. Não melhorou? Olha a tabela. Sem ter tido tempo para treinar, nós pegamos o Palmeiras e não perdemos. Os dois pontos que nós deixamos de ganhar foi contra o Remo. Hoje é um Gre-Nal, é pegado e o time pelo menos está brigando. Uma coisa é ele ter qualidade de técnica, outra é não ter. Aí eu não vou fazer o cara jogar mais, não vou mesmo. Está faltando ter um pouco mais de tranquilidade. E o que é isso? No futebol, tudo é confiança. E eu posso falar isso de boca cheia porque eu fui jogador. Eu sei o que é isso. Tem jogadores que não sentem, outros sentem. A pressão na hora de definir uma jogada, principalmente no momento que o clube se encontra na tabela. Garanto que se estivesse lá em cima na tabela, teria uma tranquilidade maior e, acima de tudo, uma confiança maior para definir a jogada. Eu vim para trabalhar, arrisquei meu nome no clube. Não tenho tempo e nem o clube pode mais contratar ninguém. É esse grupo que eu tenho confiança total. Futebol não se compra. Eu estou vendo, vocês podem não observar, mas eu vejo bastante evolução na equipe do Grêmio. Mas aí que eu falo para vocês, parte técnica é parte técnica. Hoje o jogador está se entregando aí no campo, está querendo, correndo, buscando o resultado”, avaliou.
Por fim, Renato assegurou que o elenco seguirá concentrado em brigar ponto a ponto para evitar a queda de divisão, garantindo total empenho até o término do Brasileirão.
“Com esse grupo, vamos sair dessa. Final do ano cada um tem sua consequência. Eu fui contratado para não ser rebaixado. A gente já sabia que até a última partida ia ser sofrimento. Até pela tabela que o Grêmio tem, mas estou bastante confiante. Pode ter certeza que vamos brigar até o fim”, concluiu o treinador.
Situação da tabela e próximo compromisso do Imortal
Com o resultado no clássico, o Grêmio permaneceu na zona de rebaixamento, figurando agora com 31 pontos na tabela de classificação. No entanto, a combinação de resultados da rodada jogou a favor do Tricolor: impulsionada pelas derrotas de rivais diretos como Corinthians e Mirassol, a diferença para deixar o Z-4 caiu para apenas um ponto.
O grupo gremista já volta as suas atenções para o compromisso seguinte no Campeonato Brasileiro. O Grêmio volta a campo no próximo domingo, às 16h, quando recebe o Cruzeiro na Arena, em duelo fundamental para tentar engatar a reação necessária na competição.