Grêmio não pode demitir Luís Castro no impulso, mesmo com pressão
Além do custo de uma eventual rescisão, diretoria gremista precisa considerar que boa parte da reformulação do elenco foi feita pensando no treinador O Grêmio pode e deve cobrar Luís Castro pelos resultados. O treinador ...
O Grêmio pode e deve cobrar Luís Castro pelos resultados. O treinador não está acima de críticas e, como acontece com qualquer profissional do futebol, precisa responder quando o time não apresenta o desempenho esperado. Mas existe uma diferença enorme entre cobrar e simplesmente trocar o técnico no primeiro momento de pressão.
No caso do Grêmio, existe ainda um agravante: o clube está passando por uma reformulação importante no elenco. Jogadores saíram, outros chegaram e algumas dessas contratações foram feitas justamente levando em consideração as ideias e as características do treinador português. Demitir Luís Castro agora significaria colocar em xeque uma parte importante do próprio planejamento realizado pela diretoria.
É justamente por isso que a convicção no trabalho precisa pesar tanto quanto os resultados. Se a direção acredita que o treinador é o homem certo para conduzir esse novo projeto, uma sequência ruim não pode apagar essa avaliação de uma hora para outra.
O custo de uma demissão
Existe também o lado financeiro. Técnicos brasileiros normalmente negociam multas rescisórias menores nos contratos com clubes nacionais, muitas vezes equivalentes a alguns salários. No caso de treinadores portugueses, é comum que os acordos tragam uma proteção maior em caso de demissão.
Ainda é necessário confirmar todos os detalhes do contrato de Luís Castro, mas existe a possibilidade de uma eventual ruptura representar um custo significativo para o Grêmio. E esse dinheiro não seria gasto apenas para mandar o treinador embora: o clube ainda precisaria contratar outro profissional e iniciar um novo projeto.
Ou seja, a pergunta não pode ser apenas “Luís Castro está indo bem?”. É preciso perguntar também: se ele sair hoje, quem vem? E o novo treinador vai trabalhar com o elenco que foi montado pensando nas ideias do português?

Demitir agora seria admitir um erro de planejamento
O caso de Krovinovic é um exemplo que ilustra bem essa situação. O Grêmio foi ao mercado e contratou um jogador com um perfil extremamente específico, algo raro no futebol brasileiro, dentro de uma reformulação que tem a participação direta de Luís Castro.
Imagine o clube contratar um jogador desse perfil e, duas semanas depois, mandar embora justamente o treinador que participou da construção desse elenco. Seria uma demonstração enorme de falta de planejamento.
Se a direção gremista realmente perdeu a convicção em Luís Castro, é claro que a mudança precisa ser feita. Mas, se a convicção permanece, trocar apenas porque existe pressão externa seria repetir um erro bastante comum no futebol brasileiro.
O Grêmio precisa decidir se está construindo um projeto ou apenas reagindo aos resultados de cada rodada. E, neste momento, tudo indica que a segunda opção seria muito mais perigosa do que dar tempo para o trabalho amadurecer.