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Marlon Freitas vira alvo de debate no Palmeiras e Flaco responde com gol de alívio na Libertadores

Marlon Freitas vira alvo de debate no Palmeiras e Flaco responde com gol de alívio na Libertadores

15/10/2026 02:03

Abel apostou em Marlon Freitas para reforçar o meio-campo, mas a posse do levantou dúvidas sobre a estratégia. O gol de Flaco López acrescentou um contraponto à análise e mostrou outra maneira do Verdão encontrar espaços...

Abel apostou em Marlon Freitas para reforçar o meio-campo, mas a posse do levantou dúvidas sobre a estratégia. O gol de Flaco López acrescentou um contraponto à análise e mostrou outra maneira do Verdão encontrar espaços

A primeira etapa de Fluminense e Palmeiras, no Maracanã, colocou uma escolha de Abel Ferreira no centro da discussão: a entrada de Marlon Freitas na vaga de Vitor Roque. Em uma semifinal de Libertadores, fora de casa, o treinador optou por acrescentar um homem ao meio-campo e preservar a estrutura com três zagueiros. A intenção era compreensível: aumentar a capacidade de disputar o setor central e dificultar a construção tricolor. O problema é que a superioridade numérica não se converte automaticamente em controle do jogo.

A ausência de Vitor Roque, que sofreu uma entorse no tornozelo direito, limitou as alternativas ofensivas do Palmeiras. Ramón Sosa também não estava disponível, e Abel, suspenso, precisou acompanhar a partida de fora do banco. Nesse contexto, Marlon apareceu como uma solução para reorganizar a equipe, enquanto Jhon Arias ganhou espaço ao lado de Flaco López. A decisão, portanto, não pode ser analisada apenas pelo nome escolhido, mas pelo tipo de Palmeiras que a comissão técnica pretendia construir para enfrentar o Fluminense.

O primeiro sinal de alerta apareceu na circulação da bola. Aos 25 minutos, conforme o recorte estatístico acompanhado durante a partida, o Fluminense tinha 69% de posse, contra 31% do Palestra. O número ajuda a dimensionar a dificuldade alviverde para permanecer com a bola naquele momento. Para uma equipe que acrescentou Marlon justamente com a intenção de fortalecer o setor central, a diferença levanta uma pergunta inevitável: o Verdão conseguiu transformar a presença de mais um meio-campista em capacidade de disputar o ritmo da partida?

É nesse ponto que a atuação de Marlon precisa ser examinada com cuidado. O volante não pode ser responsabilizado automaticamente pela posse superior do adversário, porque a circulação depende também da pressão dos atacantes, das distâncias entre os setores e das opções oferecidas pelos companheiros. Ainda assim, sua função ganha relevância quando o adversário encontra caminhos para trocar passes e avançar.

Torcida do Palmeiras reclamou com razão?

A discussão levantada por parte da torcida sobre a escalação encontra seu fundamento. A crítica não precisa se limitar a dizer que Marlon não deveria jogar. É possível questionar se sua entrada era a melhor resposta para a ausência de Vitor Roque e se o ganho defensivo imaginado por Abel compensava a perda de uma referência de velocidade e profundidade no ataque. São questões diferentes, embora estejam ligadas, uma diz respeito ao desempenho individual do volante; a outra, à escolha de desenho feita pela comissão técnica.

Sem Vitor Roque, o Palmeiras perdeu uma peça capaz de atacar os espaços nas costas da defesa e oferecer mobilidade à última linha. Flaco López permaneceu como referência mais central, enquanto Arias precisava combinar aproximações, movimentação e capacidade de acelerar as jogadas. Com Marlon no meio, a equipe ganhou um jogador para disputar o setor, mas abriu mão de uma opção ofensiva com características distintas.

Gol de Flaco aliviou a tensão no Maracanã

Aos 45 minutos, o Palmeiras encontrou a resposta que procurava em uma jogada de poucos toques e execução vertical. Andreas Pereira acionou Piquerez pela esquerda; o uruguaio disparou, avançou em velocidade e cruzou para Flaco López finalizar e abrir o placar. Foi uma sequência relâmpago, construída pela conexão entre dois jogadores capazes de transformar uma recuperação ou uma circulação rápida em profundidade. Em vez de insistir na construção prolongada, o Palmeiras encontrou um caminho direto para ferir o Fluminense.

O lance acrescenta uma nuance importante à discussão sobre a escalação de Abel Ferreira. A escolha por Marlon Freitas reforçou numericamente o meio-campo, mas a jogada do gol mostrou que a ameaça alviverde também dependia da capacidade de acelerar pelos lados e acionar seus homens de frente. Andreas encontrou o corredor, Piquerez atacou o espaço e Flaco apareceu para concluir. A eficiência demonstra que a conservava recursos para atacar mesmo sem dominar a posse.

O gol não resolve automaticamente os questionamentos sobre sua atuação nem elimina a discussão sobre a ausência de Vitor Roque. Ele muda, isso sim, o contexto da análise: o Palmeiras chegou ao intervalo em vantagem e mostrou que podia transformar uma ação rápida em resultado concreto. A questão passa a ser se Abel conseguirá preservar essa capacidade de transição e, ao mesmo tempo, corrigir as dificuldades que permitiram ao Fluminense circular a bola com mais frequência.

Desafio para o segundo tempo do Verdão

O primeiro tempo deixa, assim, uma questão que vai além do nome de Marlon Freitas: Abel escolheu reforçar o meio-campo para tornar o Palmeiras mais competitivo por dentro, mas a equipe precisava demonstrar que esse reforço também seria capaz de melhorar a relação com a bola. A escalação pode ser defendida pela necessidade de equilibrar o confronto e compensar uma ausência importante no ataque. Isso não a torna imune a questionamentos. Se o plano não consegue reduzir a influência do Fluminense e tampouco oferece caminhos consistentes para atacar, é legítimo discutir tanto a execução dos jogadores quanto a concepção da estratégia.

A análise mais justa é condenar Marlon apenas porque o Palmeiras teve menos posse, nem absolver a escolha de Abel sob o argumento de que a partida exige cautela. O ponto central está na distância entre a intenção tática e aquilo que o time consegue executar. Marlon virou o rosto mais visível dessa discussão porque sua entrada simbolizou a aposta por um meio-campo mais povoado. Agora, a pergunta que fica para a sequência da semifinal é se o Palmeiras conseguirá transformar essa escolha em equilíbrio real ou se precisará encontrar outra maneira de proteger a defesa sem perder capacidade de ameaçar o Fluminense.