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Opinião: Abel encontrou respostas, mas ainda precisa provar se as transformou em solução

Opinião: Abel encontrou respostas, mas ainda precisa provar se as transformou em solução

24/08/2026 16:54

A goleada sobre o Vasco devolveu confiança ao elenco, mas o desempenho diante do Santos poderá revelar se essa reação possui sustentação O Palmeiras chega para enfrentar o Santos na Copa do Brasil com uma situação curios...

A goleada sobre o Vasco devolveu confiança ao elenco, mas o desempenho diante do Santos poderá revelar se essa reação possui sustentação

O Palmeiras chega para enfrentar o Santos na Copa do Brasil com uma situação curiosa. Não está livre das dúvidas que a turbulência recente deixou pelo caminho, mas também não é mais o mesmo time que parecia perder o controle do próprio momento. A classificação na Libertadores e a manutenção da liderança recolocaram oxigênio no ambiente. Agora, o clássico pode mostrar se a reação foi apenas um respiro ou o início de uma resposta maior.

Durante a crise, o problema do Verdão não parecia caber apenas nos resultados. Havia uma sensação evidente de perda de controle sobre o desempenho da equipe, enquanto a segurança que acompanhou o time durante boa parte da temporada começou a desaparecer. Por isso, sobreviver às oitavas da Libertadores teve um peso que vai além da classificação. O time precisava provar, antes de tudo, que ainda sabia reagir quando o cenário ficava hostil.

E é justamente nesse ponto que Abel Ferreira merece uma observação mais cuidadosa. Eu não diria que o treinador encontrou uma fórmula definitiva para todos os problemas, porque seria precipitado transformar alguns resultados em certificado de cura coletiva. Mas existem, sim, sinais de que Abel procurou caminhos para reorganizar a equipe. A utilização de uma estrutura com três defensores foi uma das mudanças mais evidentes desse processo.

Essa alteração, aliás, não surgiu como um detalhe isolado de uma escalação. O Palestra passou a repetir essa configuração em partidas consecutivas após a Copa do Mundo, o que revela que Abel enxergou ali uma possibilidade concreta de dar outra estrutura ao time. O esquema ajudou a criar uma equipe diferente daquela apresentada no primeiro semestre. A questão é saber se essa transformação já encontrou estabilidade suficiente para resistir aos próximos testes.

A hora da verdade para as mudanças de Abel

Porque uma solução tática só se torna realmente valiosa quando sobrevive ao contexto. Não basta funcionar em uma noite ou produzir uma resposta específica diante de determinado adversário. O grande desafio de Abel é fazer o Palmeiras voltar a ser reconhecível dentro das suas próprias ideias: um time capaz de competir, controlar momentos e encontrar alternativas quando o jogo se complica. Foi exatamente essa capacidade que pareceu oscilar durante a turbulência das últimas semanas.

A vitória por 4 a 1 sobre o Vasco, portanto, não pode ser tratada como um simples resultado. O Alviverde saiu de um primeiro tempo sem gols para uma atuação muito mais eficiente na etapa final, e Abel relatou que desafiou os jogadores no intervalo e viu uma resposta expressiva do time. Flaco López marcou e Vitor Roque voltou a balançar as redes depois de um longo período. São acontecimentos que não resolvem tudo, mas ajudam a reconstruir confiança e possibilidades.

Avanço na Libertadores e liderança no Brasileirão trazem a paz necessária para o momento

É por isso que o Santos aparece em um momento particularmente interessante para o Palmeiras. O clássico será pelas quartas de final da Copa do Brasil, com o primeiro jogo de mando alviverde. Ou seja, não haverá espaço para tratar a partida apenas como mais um compromisso de calendário. Depois de atravessar a pressão na Libertadores, o Verdão terá outra competição eliminatória pela frente. E cada escolha de Abel será observada como possível confirmação ou contestação dessa recuperação.

Na minha visão, o principal mérito recente do Palmeiras foi não permitir que a turbulência virasse colapso. O time avançou na Libertadores e voltou a abrir vantagem na liderança do Brasileirão com 51 pontos. Isso não significa que todas as fragilidades desapareceram ou que Abel já encontrou todas as respostas. Significa apenas que, em vez de continuar afundando, o Palmeiras conseguiu interromper a queda. E, no futebol, às vezes, recuperar o chão é o primeiro passo antes de voltar a correr.

Contra o Santos, portanto, eu acredito que veremos mais do que um clássico de Copa do Brasil. Veremos um Palmeiras tentando descobrir se a turbulência ficou realmente para trás. Abel parece ter encontrado alguns caminhos, especialmente na busca por uma nova estrutura para a equipe, mas encontrar uma solução e transformá-la em identidade são coisas completamente diferentes. O jogo contra o rival pode ser exatamente o teste que separa uma reação circunstancial de uma reconstrução real.