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Conselho aprova Ticketmaster e São Paulo agora corre para receber R$ 140 milhões

Conselho aprova Ticketmaster e São Paulo agora corre para receber R$ 140 milhões

30/09/2026 20:31

Acordo foi aprovado por 184 votos a 44 e entra agora na fase de assinatura, com clube planejando usar os recursos para regularizar pendências financeiras O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou nesta quarta-feira o ...

Acordo foi aprovado por 184 votos a 44 e entra agora na fase de assinatura, com clube planejando usar os recursos para regularizar pendências financeiras

O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou nesta quarta-feira o contrato com a Ticketmaster, encerrando uma das votações mais importantes do clube nas últimas semanas. A proposta recebeu 184 votos favoráveis e 44 contrários, permitindo que a diretoria avance para a assinatura do acordo de cinco anos com a empresa, que assumirá a gestão de ingressos do Morumbis e terá participação também na operação do programa de sócio-torcedor.

A aprovação representa também a abertura do caminho para a entrada de R$ 140 milhões no São Paulo. Desse total, R$ 30 milhões estão relacionados à exploração do camarote 29A durante cinco anos, enquanto outros R$ 110 milhões funcionarão como uma antecipação de recursos, que será devolvida pelo clube à Ticketmaster ao longo de cinco anos, com remuneração baseada no CDI mais 1,99%.

O próximo passo é a formalização do contrato. Depois da assinatura, o São Paulo terá direito aos valores previstos na operação, seguindo os prazos estabelecidos no acordo. Os R$ 30 milhões do camarote estão previstos para serem pagos logo após a assinatura, enquanto os R$ 110 milhões de antecipação serão repassados em até 45 dias, conforme a estrutura contratual divulgada.

Dinheiro chega em meio à pressão no caixa

A aprovação ganha ainda mais importância pelo momento financeiro vivido pelo São Paulo. O clube acumula quatro meses de direitos de imagem atrasados com o elenco, e há casos individuais em que os jogadores chegaram a acumular até seis meses. A diretoria também não conseguiu cumprir integralmente o cronograma de uma renegociação feita anteriormente com os atletas.

Segundo a apuração do Bolavip Brasil, a diretoria havia estabelecido 6 de outubro como nova data para colocar as pendências em dia. A expectativa é utilizar parte dos recursos que serão liberados pela operação para quitar os direitos de imagem, eventuais valores de CLT pendentes e parcelas relacionadas ao acordo firmado com o elenco no início do ano. A efetivação desse pagamento, porém, ainda depende da assinatura e da liberação financeira.

A intenção do clube vai além de simplesmente apagar o atraso atual. Internamente, a avaliação é de que a entrada extraordinária de recursos permitirá ao São Paulo reorganizar o fluxo de caixa e reduzir o risco de novos atrasos até o fim do ano, inclusive com salários de jogadores e funcionários. Trata-se de uma expectativa da diretoria, que agora terá de transformar a aprovação política do contrato em dinheiro efetivamente disponível.

O que muda com a Ticketmaster

A Ticketmaster assumirá a gestão dos ingressos do Morumbis e também passará a atuar na operação do programa de sócio-torcedor, atualmente administrado pela Feng. O acordo prevê ainda recursos para a reforma do Museu do São Paulo e estabelece taxas de administração sobre as operações de ingressos e do programa de associados.

Na estrutura financeira, os R$ 110 milhões não representam uma receita livre para o clube, já que o valor será devolvido à empresa ao longo de cinco anos. O pagamento será relacionado às receitas obtidas com jogos no Morumbis, com limite mensal de R$ 1,8 milhão, além das condições financeiras previstas no contrato. Os outros R$ 30 milhões estão vinculados ao direito de exploração do camarote 29A pelo mesmo período.

Outro ponto importante será a transição do programa de sócio-torcedor. Para assumir essa operação, o São Paulo precisará encerrar o contrato com a Feng, que prevê aviso prévio de 180 dias e uma multa calculada com base em 15% da receita bruta do programa durante esse período. Pelos números utilizados pelo clube, esse valor seria atualmente de aproximadamente R$ 3,7 milhões, embora a quantia final possa variar.

A aprovação desta quarta-feira, portanto, não significa que os R$ 140 milhões já estejam imediatamente disponíveis na conta do São Paulo. Existe uma sequência de procedimentos entre a decisão do Conselho, a assinatura do contrato e a liberação dos recursos. É justamente nesse intervalo que a diretoria terá de cumprir a promessa feita ao elenco e colocar em prática o cronograma de pagamentos estabelecido para outubro.

O resultado da votação também encerra, por enquanto, a principal etapa política da operação. O contrato vinha sendo analisado por uma comissão do Conselho, que deu parecer favorável com ressalvas antes de o tema chegar ao plenário. Durante a tramitação, houve questionamentos sobre o processo de escolha da empresa e discussões envolvendo as condições do acordo.

Agora, o São Paulo precisa transformar a aprovação em execução. Assinar, receber e pagar passam a ser as três palavras mais importantes para a diretoria nos próximos dias. O clube trabalhou durante semanas para convencer os conselheiros de que a operação era necessária para o caixa e, principalmente, para enfrentar compromissos de curto prazo que já pressionavam o elenco.

Para os jogadores, a expectativa está diretamente ligada à promessa de regularização dos atrasados até 6 de outubro. A aprovação removeu o principal obstáculo apontado pela diretoria para a obtenção dos recursos, mas ainda será necessário acompanhar a assinatura e a efetiva liberação do dinheiro. Só então será possível verificar se o cronograma anunciado será cumprido integralmente.

O São Paulo, portanto, chega a uma nova fase da operação. O Conselho aprovou o contrato por 184 a 44, os R$ 140 milhões estão previstos no acordo e a diretoria agora precisa fazer o dinheiro chegar ao caixa. Depois de meses de atrasos e sucessivos compromissos financeiros, o próximo capítulo será saber se a Ticketmaster conseguirá, de fato, dar ao clube o fôlego financeiro que a administração espera para atravessar o restante de 2026.