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Trabalho na base fortalece Luís Castro em meio à pressão por demissão no Grêmio

Trabalho na base fortalece Luís Castro em meio à pressão por demissão no Grêmio

10/04/2026 12:52

Queda vertiginosa desde o Gauchão deixa clima tenso no Imortal e diretoria tem argumentos para sustentar a paciência demonstrada ao treinador Em um intervalo de 30 dias, o Grêmio conseguiu condensar o melhor e o pior de ...

Queda vertiginosa desde o Gauchão deixa clima tenso no Imortal e diretoria tem argumentos para sustentar a paciência demonstrada ao treinador

Em um intervalo de 30 dias, o Grêmio conseguiu condensar o melhor e o pior de si mesmo. No dia 8 de março, erguia a taça do Gauchão no Beira-Rio, território inimigo, com ares de afirmação. Um mês depois, em 8 de abril, sucumbia diante de um adversário modesto, o Montevideo City Torque, pela Sul-Americana, expondo fragilidades que pareciam superadas.

A situação inevitavelmente coloca em xeque o trabalho de Luís Castro, que fica questionado pela torcida e, de certa forma, deixa um clima de desconfiança interna. O próprio treinador já abordou a situação.

Entretanto, existem situações chave que respaldam a continuidade de Luís Castro. A direção sustenta que os pontos fora da curva do trabalho de Luís Castro são os dois jogos mais recentes. Por serem adversários tecnicamente inferiores, esperava-se seis pontos, mas veio apenas um, na Arena, e com grande atuação do goleiro Weverton. A informação é do Globo Esporte.

O que, de fato, segura Luís Castro no Imortal?

No Grêmio, a aposta não é exatamente uma escolha — é uma necessidade. Luís Castro entendeu isso e foi direto ao ponto: mergulhou na base como quem procura saída de emergência. Não por convicção romântica, mas por falta de alternativa. O clube precisa vender. Precisa respirar. E, no futebol brasileiro, jovens viram caixa.

Contra o Montevideo City Torque, o retrato foi eloquente: 10 jogadores formados em casa entre os 25 relacionados. Poderiam ser mais, não fossem Tetê e Arthur, produtos da mesma base, mas já reciclados pelo mercado e reintegrados depois. No meio desse cenário, surge Riquelme, recém-saído do sub-20, alçado à titularidade no Uruguai. Não por planejamento de longo prazo, mas pelas circunstâncias — preservações, elenco curto, calendário. No Grêmio de hoje, a base não é promessa de futuro. É solução de presente.

A dupla de zaga principal, com Gustavo Martins e Viery, ambos da base, é símbolo desse trabalho. Contra o Remo, o volante Zortéa ganhou chance entre os 11 iniciais, assim como o lateral-esquerdo Pedro Gabriel. Ambos foram soluções em momentos que as posições perderam jogadores por lesão, casos de Leo Pérez e Marlon, respectivamente. Gabriel Mec, Roger e Tiaguinho também receberam mais oportunidades em 2026, embora ainda não tenham se afirmado.

O treinador português entende que está no Grêmio para um projeto que não se resume ao resultado imediato. Em outras entrevistas, já definiu que a temporada será “difícil”, mas assumiu a responsabilidade de levar o time a brigar por uma vaga na Libertadores.

Paciência pela reestruturação define postura da diretoria

Castro está de olho na base e a direção tem consciência da necessidade de paciência pela reestruturação – Foto: Rodrigo Fatturi / Grêmio FBPA

Ao mesmo tempo, a direção trata de calibrar o discurso para não colidir com a realidade. Odorico Roman e Antonio Dutra Junior adotam um tom compreensivo, quase pedagógico: admitem oscilações, relativizam tropeços, enquadram tudo no rótulo conveniente da “reestruturação”. É uma palavra que, no futebol, costuma servir a dois propósitos: explicar o presente e comprar tempo para o futuro. No caso do Grêmio, funciona como escudo. Protege o trabalho, alivia a pressão — mas não elimina a cobrança.