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Trunfo do Irã: Como Los Angeles virou o caldeirão persa na Copa

Trunfo do Irã: Como Los Angeles virou o caldeirão persa na Copa

28/05/2026 16:57

Seleção persa ainda vive impasse sobre vistos para atuar nos Estados Unidos, porém, tem um fator inusitado a seu favor O clima político pesado entre Estados Unidos e Irã pegou carona na preparação para a Copa do Mundo. P...

Seleção persa ainda vive impasse sobre vistos para atuar nos Estados Unidos, porém, tem um fator inusitado a seu favor

O clima político pesado entre Estados Unidos e Irã pegou carona na preparação para a Copa do Mundo. Por questões diplomáticas, a equipe persa precisou mudar os planos e escolheu o México como base de treinamento. Mas se engana quem pensa que eles vão jogar sob pressão: a previsão é de casa cheia e muito apoio para os iranianos nos confrontos da fase de grupos em Los Angeles.

A jornada do Irã na Copa do Mundo começa no SoFi Stadium, em Los Angeles, onde a equipe enfrenta a Nova Zelândia na estreia. Após o primeiro desafio, a seleção persa retorna à cidade californiana para medir forças com a Bélgica na segunda rodada. O encerramento da fase de grupos acontecerá em Seattle, em um confronto decisivo contra o Egito.

O favoritismo nas arquibancadas de Los Angeles tem uma justificativa histórica: a região abriga a maior comunidade persa fora do Irã. A conexão cultural é tão intensa que a metrópole americana há muito tempo é apelidada carinhosamente de “Tehrangeles” — uma fusão com Teerã, a capital iraniana. Por isso, a expectativa é de que a seleção se sinta jogando em seu próprio território.

Os Estados Unidos iraniano

Em termos demográficos nos EUA, o Irã larga com enorme vantagem sobre seus rivais de chave. A comunidade persa no país é estimada em 630 mil pessoas — um volume muito superior aos 360 mil de origem belga e que deixa bem para trás os escassos 55 mil nativos ou descendentes da Nova Zelândia.

Apesar do forte apoio nas arquibancadas, o clima de tensão política é inevitável. Os torcedores terão que lidar com a insegurança gerada pelas decisões imprevisíveis do governo Trump no tabuleiro diplomático entre Estados Unidos e Irã.

O presidente Donald Trump é fator de tensão para os iranianos, mas o presidente da FIFA, Gianni Infantino assegura que os vistos serão resolvidos – (Photo by Jia Haocheng – Pool/Getty Images)

A região metropolitana de Los Angeles concentra cerca de 180 mil iranianos. A população é maior que a das cidades de Chabahar e Minab, por exemplo, bombardeadas pelos Estados Unidos em meio ao conflito. O levantamento é da American Community Survey de 2023, censo do país norte-americano. As informações são do portal Uol Esporte.

Visto americano ainda é problema

A decisão do Irã de se instalar em Tijuana, no México, é uma jogada puramente estratégica para driblar a burocracia dos EUA. Hospedada no Centro Xoloitzcuintle, a seleção fica ao lado de San Diego (casa de 22 mil iranianos) e garante uma rotina de viagens curtas.

Mais importante ainda: estar no México facilita o complexo processo de obtenção de vistos para os jogadores. A situação atinge os bastidores políticos, com o ministro do Esporte, Ahmad Donyamali, cobrando transparência de solo americano e lembrando que o próprio presidente da Fifa assumiu o compromisso de garantir a entrada de todo o elenco.