Opinião: Gustavo Henrique tem tudo para transformar uma passagem pelo Corinthians em legado
Zagueiro que sofreu com críticas no Flamengo reencontra confiança no Corinthians e começa a construir uma relação de idolatria com a Fiel Tem jogador que precisa de pouco tempo para conquistar uma torcida. Tem outros que...
Tem jogador que precisa de pouco tempo para conquistar uma torcida. Tem outros que precisam de títulos. E existem aqueles que precisam, antes de tudo, de uma segunda chance. Gustavo Henrique parece estar vivendo exatamente essa história no Corinthians.
Quando chegou ao clube, o zagueiro carregava uma bagagem pesada. Havia passado pelo Flamengo entre 2020 e 2022, conquistado títulos importantes e disputado 88 partidas, com oito gols, mas também enfrentado uma pressão que deixou marcas. As críticas foram tão duras que o próprio jogador revelou ter buscado acompanhamento psicológico e contou que chegou a ser tratado como o “pior zagueiro do mundo”.
E talvez seja justamente por isso que o momento vivido por Gustavo Henrique no Timão tenha um peso diferente. Hoje, ele não é apenas mais um zagueiro do elenco. É titular absoluto, homem de confiança e um jogador que encontrou estabilidade justamente onde talvez muitos não esperavam. A cada jogo, parece estar deixando para trás aquela versão do atleta que precisava provar que ainda podia ser respeitado.
No Corinthians, Gustavo Henrique encontrou o que faltou no Flamengo
Olhe para os números e fica ainda mais difícil tratar essa fase como apenas uma boa sequência. Gustavo Henrique já soma 12 gols pelo clube alvinegro e ocupa a quarta colocação entre os zagueiros que mais marcaram pelo clube no século. À frente dele estão Chicão, Gil e Balbuena. Ou seja: ele já colocou seu nome ao lado de defensores que marcaram uma geração.
Mas existe algo que número nenhum consegue explicar. O zagueiro não está sendo importante apenas porque faz gols. Ele está sendo importante porque, quando o time precisa, ele aparece. Foi assim no gol de cabeça contra o Santa Fe, nos acréscimos da Libertadores, e também em outros momentos decisivos. E é assim que um jogador deixa de ser simplesmente titular para começar a construir uma relação diferente com a arquibancada.
E se a história de Gustavo Henrique ainda estiver no começo?
Talvez essa seja a parte mais bonita dessa história. No Flamengo, ele ganhou taças, viveu momentos importantes e participou de um time histórico, mas não conseguiu sair de lá com o status de ídolo que provavelmente gostaria. No Corinthians, porém, a história ainda está sendo escrita, e existe espaço para um final completamente diferente.
E convenhamos: existe algo mais corinthiano do que isso? Um jogador desacreditado, que precisou reconstruir a própria imagem, encontrar no caminho mais difícil uma torcida que passou a confiar nele e, aos poucos, transformar desconfiança em aplauso.
Gustavo Henrique ainda não é ídolo do Alvinegro. Mas, pelo que vem construindo, já tem todos os ingredientes para um dia ser lembrado como um.